Astronauta francesa abre novo capítulo para a França em caminhada espacial 

Sophie Adenot faz história como primeira francesa em caminhada espacial. (Imagem: Divulgação)

Sophie Adenot acaba de entrar para a história da exploração espacial francesa. Aos 44 anos, a astronauta realizou sua primeira caminhada espacial fora da Estação Espacial Internacional (ISS), tornando-se a primeira mulher da França a executar uma atividade extraveicular.

A operação aconteceu a aproximadamente 400 quilômetros acima da Terra e contou com a participação do astronauta norte-americano Anil Menon. Durante cerca de seis horas e meia, os dois trabalharam diretamente na parte externa da estação para substituir um equipamento essencial às comunicações com o centro de controle da missão.

Uma operação delicada a centenas de quilômetros da Terra

Astronautas deixam a ISS para realizar missão de manutenção. (Imagem: ISS / NASA)

Apesar de parecer uma tarefa simples nas imagens transmitidas pela NASA, uma caminhada espacial exige planejamento extremamente rigoroso. Fora da estação, os astronautas ficam expostos a um ambiente sem atmosfera, com vácuo, temperaturas extremas e radiação espacial.

A operação começou com a retirada da antena antiga. Em seguida, Adenot e Menon posicionaram o novo equipamento e realizaram os procedimentos necessários para sua instalação.

A antena desempenha uma função importante porque permite a comunicação da ISS com o centro de controle em Houston. Por isso, a substituição precisava ser executada com precisão.

Enquanto os dois astronautas trabalhavam do lado de fora, outros integrantes da tripulação permaneceram dentro da estação. Jack Hathaway e Jessica Meir ajudaram na preparação dos trajes, acompanharam os procedimentos e operaram o braço robótico utilizado para auxiliar a atividade.

Preparação começa muito antes da escotilha abrir

Uma caminhada espacial não começa quando o astronauta coloca os pés para fora da estação. Antes disso, existe uma extensa preparação envolvendo trajes, ferramentas, equipamentos de segurança e simulações dos procedimentos.

No caso de Adenot, os dias anteriores foram dedicados justamente à revisão de cada etapa da missão. Esse treinamento é fundamental porque, uma vez do lado de fora, os movimentos são limitados pelo traje espacial e qualquer procedimento precisa ser executado seguindo uma sequência previamente planejada.

Além disso, uma atividade extraveicular depende de toda a equipe da estação. Portanto, mesmo quem permanece no interior desempenha uma função essencial para que a operação seja concluída com segurança.

Um marco para a exploração espacial francesa

Adenot tornou-se também a segunda mulher europeia a realizar uma caminhada espacial, depois da italiana Samantha Cristoforetti, que realizou uma atividade extraveicular em 2022.

A astronauta francesa chegou ao espaço em fevereiro de 2026, tornando-se apenas a segunda francesa da história a viajar para fora da Terra. Antes dela, a pioneira havia sido Claudie Haigneré.

O feito também amplia uma trajetória que inclui formação em engenharia e experiência como piloto de testes, atividades que exigem domínio técnico e capacidade de tomar decisões em ambientes de alta complexidade.

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Uma conquista que amplia a presença francesa no espaço

A caminhada de Adenot tem importância que vai além da manutenção da ISS. Cada atividade extraveicular representa uma demonstração prática da capacidade humana de trabalhar em um ambiente extremamente hostil, utilizando equipamentos desenvolvidos para manter o corpo protegido fora da atmosfera terrestre.

Na França, o acontecimento foi recebido como um marco nacional. O presidente Emmanuel Macron classificou a missão como motivo de orgulho para o país.

Com isso, Sophie Adenot passa a integrar uma lista ainda restrita de astronautas que já trabalharam diretamente no exterior da ISS. Sua primeira caminhada espacial representa mais um passo na presença europeia e francesa na exploração do espaço.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes