Construir um planeta não depende apenas de uma estrela nascer com um disco de gás e poeira ao seu redor. Existe também uma espécie de cronômetro cósmico funcionando desde os primeiros milhões de anos.
Enquanto o material permanece concentrado ao redor da estrela, os planetas podem crescer e, no caso dos gigantes gasosos, acumular enormes atmosferas. Porém, esse reservatório não é permanente. Ventos, jatos e radiação estelar conseguem remover o gás pouco a pouco, reduzindo a matéria-prima disponível para a formação planetária.
Um novo estudo realizado com o Telescópio Espacial James Webb mostra como esse processo muda conforme os sistemas envelhecem.
O gás que alimenta planetas gigantes começa a escapar
Os planetas se formam dentro dos chamados discos protoplanetários, estruturas achatadas compostas principalmente por gás e poeira que giram ao redor de estrelas jovens.
No início, esses discos são mais densos e apresentam taxas elevadas de material caindo em direção à estrela. Nesse ambiente, os pesquisadores encontraram sinais de jatos e ventos contendo gás molecular, além de fluxos atômicos.
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Entrar no Canal do WhatsAppCom o passar do tempo, porém, a situação muda.
À medida que a quantidade de material disponível diminui, os jatos associados às fases de maior acreção ficam mais fracos. Ao mesmo tempo, a radiação energética da estrela consegue penetrar mais profundamente no disco e aquecer o gás.
Esse processo pode provocar a fotoevaporação, quando o material aquecido ganha energia suficiente para escapar do disco.
James Webb acompanhou diferentes fases da transformação
Para reconstruir essa evolução, a equipe analisou observações de arquivo obtidas pelo instrumento MIRI, que permite estudar o universo no infravermelho médio.
Foram examinados 72 discos protoplanetários inclinados, permitindo comparar sistemas que estão em diferentes estágios de evolução. Em 66 deles foram identificadas emissões extensas associadas a moléculas ou átomos, enquanto 46 apresentaram ventos moleculares e 40 mostraram jatos associados ao néon ionizado.
O hidrogênio molecular foi especialmente importante porque permite observar diretamente uma parte dos ventos que antes era muito difícil de detectar.
Os resultados indicam uma sequência:
- Sistemas mais jovens: jatos e ventos moleculares são mais evidentes.
- Sistemas em evolução: os jatos começam a perder força e os ventos moleculares mais quentes diminuem.
- Sistemas mais evoluídos: ventos predominantemente atômicos tornam-se mais importantes.
Essa mudança sugere que não existe um único mecanismo responsável pela dispersão do disco. Diferentes processos assumem maior importância conforme as condições do sistema se transformam.
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O tempo pode decidir quais planetas conseguem nascer
A descoberta tem uma consequência importante para a formação dos gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno.
Esses mundos precisam reunir uma quantidade enorme de gás enquanto o disco ainda possui material suficiente. Se o reservatório for dispersado antes que o planeta consiga acumular uma atmosfera significativa, sua evolução poderá seguir um caminho diferente.
Por isso, a formação planetária pode ser entendida como uma corrida entre crescimento e dispersão do disco.
O estudo foi liderado por Naman S. Bajaj, da Universidade do Arizona, e publicado no The Astronomical Journal em 25 de agosto de 2026, com publicação impressa em setembro.
A pesquisa amplia observações anteriores realizadas com o James Webb e mostra, em uma amostra muito maior, como os ventos que retiram gás dos discos mudam ao longo da evolução dos sistemas planetários.
Os próximos estudos deverão tentar descobrir exatamente quanto material é perdido em cada etapa e de quais regiões dos discos esse gás é removido. Essas respostas podem ajudar a explicar por que alguns sistemas conseguem formar gigantes gasosos enquanto outros terminam com mundos muito diferentes.
