O universo pode ter revelado uma pista rara envolvendo matéria escura, luz e neutrinos cósmicos. Astrônomos encontraram alterações incomuns no jato de um blazar distante que podem ser explicadas pela passagem de uma estrutura invisível de matéria escura. Se a interpretação estiver correta, o fenômeno poderá ajudar a investigar a origem de algumas das partículas mais misteriosas do cosmos.
Um jato cósmico saiu do caminho esperado
O objeto observado é o PKS 2233-148, um blazar, tipo de núcleo galáctico extremamente energético que lança jatos de partículas a velocidades próximas à da luz. Como um desses jatos aponta aproximadamente na direção da Terra, ele oferece uma oportunidade excepcional para estudar fenômenos que acontecem em regiões extremas do universo.
Para investigar o objeto, os pesquisadores combinaram observações em diferentes faixas do espectro eletromagnético, incluindo ondas de rádio, raios X e raios gama. A análise revelou uma alteração inesperada na trajetória do jato, acompanhada por uma rápida variação na emissão de raios gama.
A possível assinatura de uma lente invisível
A explicação proposta envolve a lente gravitacional, fenômeno previsto pela relatividade geral. Quando uma concentração de massa passa entre um observador e uma fonte distante, sua gravidade pode curvar o espaço e modificar o caminho percorrido pela luz.
Nesse caso, os dados sugerem que uma possível subestrutura de matéria escura tenha atravessado a linha de visão do blazar. Como a matéria escura não emite nem reflete luz de maneira detectável, sua presença seria percebida indiretamente pelos efeitos gravitacionais produzidos sobre objetos visíveis.
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Entrar no Canal do WhatsAppO estudo liderado por Silke Britzen, publicado em 2026 na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, apresenta essa possibilidade a partir das características incomuns observadas no jato e na emissão de raios gama.
Uma pista para os misteriosos neutrinos
A descoberta ganha importância porque o PKS 2233-148 é considerado um possível produtor de neutrinos cósmicos. Essas partículas possuem massa extremamente pequena e interagem muito pouco com a matéria, permitindo que atravessem enormes distâncias pelo universo.
O observatório IceCube, instalado no gelo da Antártida, detecta neutrinos cósmicos por meio dos sinais luminosos produzidos quando essas partículas interagem com o gelo.
Caso novos estudos confirmem a relação entre o blazar, a possível lente gravitacional e os neutrinos, os astrônomos poderão investigar simultaneamente a origem dessas partículas e a distribuição de matéria escura.
Por enquanto, a lente gravitacional permanece uma hipótese científica, mas o fenômeno oferece uma oportunidade incomum de observar os efeitos de uma estrutura que, por definição, permanece invisível.
