A Via Láctea ainda guarda estrelas que permanecem praticamente invisíveis para os levantamentos convencionais. Entre elas estão as estrelas Wolf-Rayet, objetos extremamente quentes e luminosos que perdem grandes quantidades de material para o espaço.
Um novo estudo acaba de ampliar o catálogo conhecido desses astros. Usando dados do telescópio espacial SPHEREx, da NASA, pesquisadores confirmaram 13 novas estrelas Wolf-Rayet na Via Láctea.
A descoberta é importante porque essas estrelas representam uma fase relativamente curta e intensa da evolução de estrelas muito massivas. Além disso, acompanhar onde elas estão ajuda os astrônomos a entender melhor como estrelas gigantes transformam seus arredores antes de chegar ao fim de suas vidas.
Estrelas gigantes escondidas pelo próprio ambiente
Encontrar uma estrela Wolf-Rayet não é tão simples quanto observar uma estrela brilhante no céu. Muitas delas estão em regiões da galáxia com grandes quantidades de poeira e gás, que dificultam sua identificação em determinados comprimentos de onda.
É justamente nesse ponto que o infravermelho se torna uma ferramenta poderosa.
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Entrar no Canal do WhatsAppO SPHEREx observa o céu entre aproximadamente 0,75 e 5 micrômetros, permitindo analisar características da luz que podem passar despercebidas em observações feitas principalmente na faixa visível.
No novo trabalho, os pesquisadores analisaram 30 candidatas a estrelas Wolf-Rayet que haviam sido identificadas anteriormente a partir de dados espectrais do Gaia.
O resultado foi surpreendente: 13 delas foram confirmadas como novas estrelas Wolf-Rayet galácticas.
A descoberta inclui dois tipos de estrelas extremas
As novas estrelas não pertencem todas à mesma categoria. O estudo identificou oito estrelas do tipo WN, associadas a espectros dominados por nitrogênio, e cinco do tipo WC, caracterizadas principalmente pela presença de carbono.
Essa classificação ajuda a investigar diferentes etapas da evolução dessas estrelas.
As Wolf-Rayet são conhecidas por apresentar ventos estelares extremamente intensos, capazes de expulsar grandes quantidades de matéria. Esse material enriquecido pode posteriormente interagir com o meio interestelar.
Por isso, localizar essas estrelas não é apenas uma questão de aumentar uma lista. O censo desses objetos pode ajudar a reconstruir a história de estrelas massivas, perda de massa e enriquecimento químico da galáxia.
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O próximo salto pode estar nas regiões mais distantes
O estudo publicado em 26 de setembro de 2026 no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society teve Paul A. Crowther como primeiro autor. A pesquisa avaliou especificamente o potencial do SPHEREx para ampliar o censo de estrelas Wolf-Rayet da Via Láctea.
Além das 13 confirmações, os pesquisadores identificaram três prováveis estrelas centrais do tipo WC em nebulosas planetárias e duas outras fontes com emissão de hélio.
O resultado também aponta para uma possibilidade ainda maior. Combinando observações no infravermelho, critérios específicos para selecionar candidatas e técnicas de aprendizado de máquina, o SPHEREx poderá ajudar a encontrar outras Wolf-Rayet relativamente isoladas e localizadas em regiões mais distantes da Via Láctea.
A sensibilidade do telescópio também pode ser suficiente para identificar estrelas Wolf-Rayet brilhantes nas Nuvens de Magalhães, duas galáxias vizinhas da Via Láctea.
Assim, as 13 estrelas recém-confirmadas podem representar apenas uma parte de uma população muito maior que ainda permanece escondida. Conforme os levantamentos infravermelhos avançarem, novas estrelas gigantes poderão surgir nos mapas da nossa galáxia, revelando uma Via Láctea ainda mais rica e dinâmica do que conhecemos.
