Algumas das estruturas mais extremas do Universo podem guardar um segredo que desafia a passagem do tempo. Estrelas de nêutrons, remanescentes extremamente compactos de estrelas que chegaram ao fim de sua evolução, podem conservar campos magnéticos durante períodos que chegam a bilhões de anos.
A explicação está menos na intensidade inicial desse campo e mais em onde ele fica armazenado dentro da estrela. Uma nova pesquisa indica que a profundidade pode ser decisiva para determinar a velocidade com que esse magnetismo desaparece.
Um campo magnético preso nas profundezas
Quando uma estrela massiva termina sua evolução, seu núcleo pode colapsar e formar uma estrela de nêutrons, objeto com uma densidade extraordinária. Apesar de possuir dimensões relativamente pequenas, esse remanescente concentra uma quantidade enorme de matéria.
Sua crosta também apresenta condições físicas extremas. É nela que podem existir correntes elétricas responsáveis por sustentar parte do campo magnético.
Com o passar do tempo, esse campo pode perder energia por um processo conhecido como decaimento ôhmico. Em termos simples, a resistência elétrica do material faz com que as correntes responsáveis pelo campo se dissipem gradualmente.
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Entrar no Canal do WhatsAppPorém, esse processo não ocorre na mesma velocidade em toda a crosta.
A localização do magnetismo muda tudo
O estudo publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society por Kathleen Sellick, em 26 de setembro de 2026, investigou justamente a relação entre a profundidade do campo magnético e sua evolução ao longo do tempo.
Os pesquisadores utilizaram modelos de estrelas de nêutrons com diferentes níveis de compactação e simularam a difusão do campo magnético considerando uma descrição em espaço-tempo curvo.
O resultado mais impressionante apareceu quando o campo estava profundamente ancorado na crosta interna. Nessas condições, o decaimento magnético calculado foi praticamente desprezível durante períodos de até 10 bilhões de anos.
Já os campos associados a correntes localizadas nas regiões mais rasas da crosta externa apresentaram uma evolução mais significativa.
Isso significa que duas estrelas de nêutrons com características magnéticas semelhantes podem apresentar histórias completamente diferentes dependendo de onde suas correntes magnéticas estão concentradas.
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A descoberta ajuda a explicar uma questão importante da astronomia: por que alguns objetos antigos ainda podem apresentar características magnéticas relevantes, enquanto outros parecem perder seu campo superficial ao longo da evolução.
Segundo os modelos analisados, a dissipação também pode depender de propriedades como a concentração de impurezas e a estrutura da crosta. Entretanto, o efeito da profundidade de ancoragem do campo permaneceu importante mesmo quando essas características foram modificadas.
Os autores também relacionam essa evolução ao chamado déficit de pulsares de alto campo em idades avançadas, uma população que pode ajudar os astrônomos a compreender como os campos magnéticos mudam ao longo da vida desses objetos.
No fim, a pesquisa revela um aspecto fascinante das estrelas de nêutrons: seu magnetismo não precisa desaparecer rapidamente. Quando protegido nas profundezas da crosta, ele pode permanecer praticamente preservado por uma escala de tempo comparável à própria idade do Universo.
