Imagens de florestas em chamas, rios secos e paisagens castigadas pelo calor estão se tornando cada vez mais comuns quando o assunto são as mudanças climáticas. Embora cenas assim possam provocar medo, tristeza ou sensação de impotência, uma pesquisa indica que esse impacto emocional não necessariamente leva ao afastamento. Em determinadas circunstâncias, ele também pode aumentar o interesse pelo problema e favorecer o engajamento.
A maneira como a crise climática é representada visualmente pode, portanto, influenciar a forma como as pessoas interpretam sua gravidade e decidem agir diante dela.
Imagens que aproximam os efeitos das mudanças climáticas
Fotografias têm uma característica importante: conseguem transmitir uma situação complexa em poucos segundos. Uma paisagem completamente seca ou uma comunidade afetada por um incêndio pode tornar concreto um fenômeno que, muitas vezes, parece distante ou abstrato.
Além disso, imagens relacionadas a locais conhecidos e experiências humanas podem gerar uma identificação maior. Quando os efeitos das mudanças climáticas aparecem próximos da realidade cotidiana, a percepção de risco tende a ganhar um significado mais pessoal.
Por outro lado, existe um limite. Imagens excessivamente ameaçadoras podem gerar sensação de impotência quando o espectador entende que o problema é grande demais para ser enfrentado.
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Entrar no Canal do WhatsAppMedo pode afastar, mas também chamar atenção
Sentimentos negativos não têm necessariamente um único efeito. Diante de uma fotografia de uma área destruída pelo fogo, por exemplo, uma pessoa pode simplesmente evitar o assunto. Outra pode interpretar aquela cena como um sinal de que medidas precisam ser tomadas.
Essa diferença é importante porque a comunicação climática não depende apenas da emoção provocada pela imagem. O contexto também influencia a maneira como ela será interpretada.
Assim, mostrar as consequências pode ser mais eficiente quando a mensagem também deixa espaço para compreender que existem formas de resposta e participação.
Pesquisa analisou centenas de imagens
Para investigar esse fenômeno, o pesquisador Joshua Garland analisou 724 imagens publicadas por 20 organizações e grupos ligados ao meio ambiente e às mudanças climáticas.
As imagens foram classificadas em diferentes categorias, incluindo temas relacionados à conservação, protestos, ameaça e vulnerabilidade. Depois, seis exemplos representativos foram apresentados a participantes ligados a organizações ambientais para avaliar as emoções provocadas e a utilidade de cada imagem como ferramenta de comunicação.
Os resultados mostraram que imagens associadas a ameaça e vulnerabilidade, como aquelas envolvendo incêndios, perdas e desastres ambientais, provocaram as reações emocionais negativas mais intensas. Apesar disso, também foram consideradas particularmente úteis para comunicar questões ambientais.
O trabalho foi publicado na revista científica Environmental Values por Joshua Garland, em 9 de junho de 2026, com o título Understanding environmental and climate imagery: A ‘Nature’ semantic differential and implications for influential communication.
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A imagem pode ser apenas o primeiro passo
Os resultados não significam que provocar medo seja sempre a melhor estratégia para falar sobre o clima. Na realidade, o excesso de ameaça pode produzir desânimo, especialmente quando as pessoas não conseguem enxergar possibilidades concretas de resposta.
Por isso, imagens que mostram os impactos das mudanças climáticas podem ter maior potencial quando ajudam o público a compreender tanto a dimensão do problema quanto sua relevância para a vida cotidiana.
Em um cenário de eventos extremos cada vez mais visíveis, entender como essas imagens afetam as emoções e o comportamento pode se tornar uma parte importante da própria comunicação científica. Afinal, uma fotografia não apenas mostra o que está acontecendo. Ela também pode influenciar a maneira como interpretamos o risco e o que decidimos fazer diante dele.
