As espinhas dolorosas na mandíbula costumam ser atribuídas apenas às alterações hormonais. Ao mesmo tempo, muitas pessoas convivem com estufamento abdominal frequente e acreditam que isso seja consequência exclusiva da alimentação. No entanto, pesquisas recentes indicam que esses dois problemas podem compartilhar um fator em comum: alterações na microbiota intestinal, conhecida popularmente como flora intestinal.
Isso não significa que toda acne tenha origem no intestino ou que qualquer desconforto digestivo provoque espinhas. Ainda assim, o chamado eixo intestino-pele vem sendo cada vez mais estudado por mostrar como o equilíbrio das bactérias intestinais influencia processos inflamatórios que afetam diferentes órgãos, incluindo a pele.
Um elo invisível entre o intestino e a pele
O intestino abriga trilhões de microrganismos que participam da digestão, da produção de metabólitos e da regulação do sistema imunológico. Quando ocorre um desequilíbrio da microbiota, chamado de disbiose, algumas funções podem ser prejudicadas.
Em determinadas pessoas, isso pode favorecer um ambiente de inflamação de baixo grau, que repercute além do sistema digestório.
Os sinais podem incluir:
- Estufamento abdominal recorrente.
- Excesso de gases.
- Alterações do hábito intestinal.
- Sensação de digestão lenta.
Ao mesmo tempo, indivíduos predispostos podem apresentar piora de doenças inflamatórias da pele, incluindo diferentes formas de acne.
A localização das espinhas também pode fornecer pistas
As espinhas concentradas na mandíbula e no queixo costumam estar relacionadas às oscilações hormonais, especialmente em mulheres adultas. Entretanto, fatores como alimentação, estresse, qualidade do sono e inflamação sistêmica também podem contribuir para a intensidade das lesões.
Por isso, quando a acne persistente aparece junto com sintomas digestivos frequentes, vale a pena investigar o quadro de forma mais ampla, sem assumir que exista apenas uma única causa.
Ciência avança na compreensão da comunicação entre intestino e pele
Um estudo publicado na revista científica Experimental Dermatology, em dezembro de 2025, sob a liderança de Wanxin Chen, investigou a composição da microbiota da pele, da cavidade oral e do intestino em pessoas com acne vulgar e hidradenite supurativa.
A análise revelou que indivíduos com acne apresentavam um padrão característico de disbiose, com alterações que iam além da pele e também envolviam a microbiota intestinal. Esses achados ampliam as evidências de que o eixo intestino-pele participa dos mecanismos inflamatórios relacionados à acne.
Ainda assim, os pesquisadores destacam que a doença resulta da interação de diversos fatores, como predisposição genética, alterações hormonais, produção de sebo e processos inflamatórios, não sendo explicada exclusivamente pelo desequilíbrio da microbiota.
Pequenas mudanças podem beneficiar o equilíbrio intestinal
Embora cada caso exija avaliação individual, alguns hábitos favorecem uma microbiota mais diversa e saudável:
- Consumir alimentos ricos em fibras diariamente.
- Priorizar frutas, verduras, legumes e grãos integrais.
- Reduzir o consumo frequente de ultraprocessados.
- Dormir adequadamente.
- Controlar o estresse.
- Praticar atividade física regularmente.
Essas medidas não substituem tratamentos dermatológicos ou gastroenterológicos quando indicados, mas contribuem para um ambiente intestinal mais equilibrado.
Nem toda espinha é causada pelo intestino
É importante evitar conclusões precipitadas. Espinhas dolorosas na mandíbula podem estar relacionadas a fatores hormonais, predisposição genética, produção excessiva de sebo, uso de cosméticos inadequados e diversos outros fatores.
Da mesma forma, o estufamento abdominal pode ocorrer por intolerâncias alimentares, síndrome do intestino irritável, constipação, excesso de fibras ou outras condições digestivas.
Quando ambos os sintomas persistem, o mais indicado é procurar avaliação médica para investigar a causa específica e definir o tratamento mais adequado.
