Dormir com seu pet pode mudar mais do que o seu sono; entenda 

Dormir com o pet pode influenciar sua microbiota. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Para muitas pessoas, dormir ao lado do cachorro ou do gato faz parte da rotina e proporciona conforto, sensação de segurança e bem-estar. Mas essa proximidade vai muito além do vínculo afetivo. A ciência mostra que compartilhar o ambiente com um animal de estimação também promove uma troca constante de microrganismos, capaz de influenciar o equilíbrio da microbiota, conhecida popularmente como o conjunto de bactérias boas do organismo.

Isso não significa que dormir com um pet seja necessariamente benéfico ou prejudicial. Os efeitos dependem da saúde do animal, dos hábitos de higiene e das características de cada pessoa. Ainda assim, as pesquisas indicam que essa convivência íntima pode modificar o ecossistema microbiano que participa da defesa do organismo.

Convivência que vai além do carinho

Nosso corpo abriga trilhões de microrganismos que vivem principalmente no intestino, na pele e nas vias respiratórias. Esse conjunto participa de funções essenciais, como:

  • regulação do sistema imunológico;
  • digestão de nutrientes;
  • produção de algumas vitaminas;
  • proteção contra microrganismos potencialmente nocivos.

Os animais de estimação também possuem sua própria microbiota. Quando convivem diariamente com os tutores, ocorre um intercâmbio natural desses microrganismos por meio do contato com a pele, pelos, saliva e até da poeira presente dentro da casa.

Essa exposição pode aumentar a diversidade de bactérias presentes no ambiente, característica frequentemente associada a um microbioma mais equilibrado.

Nova pesquisa investigou como os cães influenciam a microbiota dos tutores

Um estudo publicado em 15 de fevereiro de 2026 na revista científica Journal of Hazardous Materials, liderado por Shuaiyin Chen, avaliou como a convivência com cães pode influenciar a microbiota intestinal e o resistoma, conjunto de genes relacionados à resistência aos antibióticos, dos tutores.

Os pesquisadores observaram que a convivência próxima com cães promove uma troca de microrganismos entre animais e humanos. Ao mesmo tempo, identificaram diferenças na composição da microbiota intestinal dos tutores de cães em comparação com pessoas que não possuíam animais. O trabalho também mostrou maior presença de alguns genes de resistência a antibióticos entre os donos de cães, destacando a importância de manter boas práticas de higiene, acompanhamento veterinário e uso responsável de antibióticos tanto em humanos quanto em animais. Esses achados mostram que a interação entre pets e tutores é biologicamente complexa e pode trazer tanto benefícios quanto desafios para a saúde.

Dormir com o pet exige alguns cuidados simples

Pets compartilham mais do que companhia com você. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Na maioria das pessoas saudáveis, dividir a cama com um animal bem cuidado não costuma representar um problema importante. No entanto, algumas medidas ajudam a reduzir riscos e preservar o equilíbrio da microbiota:

  • manter a vacinação e a vermifugação do pet em dia;
  • realizar consultas veterinárias periódicas;
  • higienizar patas e pelos quando necessário;
  • lavar regularmente roupas de cama;
  • evitar que animais doentes durmam na cama.

Esses cuidados são ainda mais importantes para idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com imunidade comprometida.

Equilíbrio é a melhor estratégia

A convivência com animais de estimação oferece inúmeros benefícios emocionais e pode até contribuir para uma maior diversidade microbiana no ambiente. Entretanto, isso não elimina a necessidade de manter hábitos de higiene e acompanhamento veterinário adequado.

Em vez de considerar dormir com o pet como algo totalmente benéfico ou prejudicial, as evidências apontam que o impacto depende do contexto. Um animal saudável, bem cuidado e acompanhado por um veterinário permite que essa convivência aconteça de forma muito mais segura, preservando tanto o equilíbrio das bactérias boas quanto a saúde de toda a família.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn