Dedos que ficam brancos ou roxos com o vento frio? O que é o Fenômeno de Raynaud e como ele afeta sua circulação 

Dedos mudam de cor? Pode ser Fenômeno de Raynaud. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Você já percebeu que os dedos das mãos ou dos pés ficam brancos, azulados ou até roxos ao entrar em um ambiente muito frio ou durante um dia de inverno? Embora muitas pessoas acreditem que isso seja apenas uma reação comum às baixas temperaturas, em alguns casos esse comportamento pode indicar o Fenômeno de Raynaud, uma condição que afeta a circulação sanguínea das extremidades.

Na maioria das vezes, o problema é temporário e desaparece quando o corpo volta a se aquecer. Ainda assim, episódios frequentes ou muito intensos merecem atenção, principalmente porque, em algumas pessoas, o fenômeno pode estar relacionado a outras doenças.

O frio provoca uma resposta exagerada dos vasos sanguíneos

O Fenômeno de Raynaud acontece quando pequenos vasos sanguíneos das mãos, dos pés e, mais raramente, do nariz ou das orelhas sofrem uma contração intensa e temporária diante do frio ou até mesmo do estresse emocional.

Com a redução do fluxo de sangue, a pele costuma passar por uma sequência característica de cores:

  • branco, devido à diminuição da circulação;
  • azulado ou roxo, pela redução da oxigenação dos tecidos;
  • vermelho, quando o sangue retorna à região.

Durante a crise, também podem surgir formigamento, dormência, sensação de frio intenso e dor, sintomas que geralmente desaparecem após o aquecimento da área afetada.

Nem sempre o problema aparece sozinho

Crises frequentes de Raynaud merecem investigação médica. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Existem duas formas principais da doença. O Raynaud primário ocorre sem estar associado a outra enfermidade e costuma apresentar evolução benigna.

Já o Raynaud secundário pode estar relacionado a doenças autoimunes, especialmente esclerose sistêmica, lúpus e síndrome de Sjögren. Nesses casos, as crises tendem a ser mais intensas e prolongadas, aumentando o risco de lesões na pele quando a circulação permanece comprometida por muito tempo.

Por esse motivo, episódios frequentes, assimétricos ou acompanhados de feridas nos dedos devem ser avaliados por um profissional de saúde.

Novas evidências ampliam o entendimento sobre a doença

Uma revisão publicada em 16 de abril de 2026 na revista científica Cardiology in Review, liderada por Vishnu Venkatesh, reuniu as evidências mais recentes sobre o Fenômeno de Raynaud e seus mecanismos.

O trabalho mostra que a condição resulta de uma interação complexa entre alterações dos vasos sanguíneos, do sistema nervoso e, em alguns pacientes, de doenças autoimunes. Os autores também destacam a importância da capilaroscopia periungueal, exame capaz de identificar alterações na microcirculação e ajudar a diferenciar os casos primários daqueles associados a doenças sistêmicas. Além disso, a revisão ressalta que mudanças no estilo de vida e o tratamento adequado podem reduzir significativamente a frequência das crises.

Pequenos cuidados ajudam a prevenir as crises

Embora nem sempre seja possível impedir completamente os episódios, algumas medidas costumam reduzir bastante sua frequência:

  • manter mãos e pés aquecidos;
  • evitar mudanças bruscas de temperatura;
  • não fumar, já que o cigarro favorece a contração dos vasos;
  • controlar o estresse;
  • seguir corretamente o tratamento quando houver uma doença de base.

Na maioria das pessoas, essas estratégias são suficientes para controlar os sintomas. Entretanto, quando as crises se tornam frequentes ou provocam dor intensa e lesões, o acompanhamento médico é essencial para investigar a causa e indicar o tratamento mais adequado.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn