A maçã parece uma fruta simples, mas boa parte de seus compostos bioativos está justamente na parte que muita gente retira antes de comer. A casca da maçã concentra polifenóis, flavonoides e outros compostos fenólicos, substâncias estudadas por sua capacidade antioxidante.
Isso não significa que comer a fruta com casca seja uma garantia contra doenças cardiovasculares. Entretanto, ao descascar a maçã, você reduz a quantidade de alguns desses componentes presentes naturalmente no alimento.
A parte que costuma ir para o lixo concentra compostos valiosos
A composição da maçã não é uniforme. Casca e polpa apresentam diferentes concentrações de compostos fenólicos, e a casca tende a apresentar maior diversidade e quantidade de determinadas substâncias.
Entre os compostos encontrados estão derivados de quercetina, catequinas, ácido clorogênico e proantocianidinas. Muitos deles apresentam atividade antioxidante em testes laboratoriais.
Na prática, isso significa que a casca pode contribuir para aumentar a ingestão de compostos bioativos quando a fruta é consumida inteira.
Além disso, a casca também fornece fibras, que fazem parte de um padrão alimentar associado à saúde metabólica e cardiovascular.
Pesquisadores descobriram diferenças importantes entre casca e polpa
Um estudo publicado no Journal of Food Biochemistry em 9 de junho de 2026, liderado por Marzieh Babashpour-Asl, comparou o perfil de compostos fenólicos e a atividade antioxidante da casca e da polpa de quatro variedades de maçã.
Os pesquisadores observaram diferenças importantes entre os tecidos da fruta. A análise mostrou que a casca apresenta concentração e diversidade relevantes de compostos fenólicos, embora os resultados também variassem conforme a variedade da maçã.
Esse detalhe é importante porque o estudo não avaliou pessoas nem mediu diretamente a proteção das artérias. Portanto, seus resultados demonstram o potencial antioxidante da casca, mas não permitem concluir que comer maçã com casca previna aterosclerose ou doenças cardíacas.
Ainda assim, os achados ajudam a explicar por que retirar sistematicamente a casca pode significar abrir mão de parte dos compostos bioativos da fruta.
Outro estudo encontrou alta atividade antioxidante
Uma segunda pesquisa publicada no Food Analytical Methods em 21 de abril de 2026, liderada por Tuba Duyar, avaliou diferentes métodos para extrair compostos fenólicos da casca da maçã Red Delicious.
O estudo encontrou quantidades relevantes de compostos fenólicos e flavonoides, além de atividade antioxidante nos extratos da casca. Os melhores resultados dependeram das condições utilizadas para extrair esses compostos.
Novamente, trata-se de uma pesquisa laboratorial. Portanto, não significa que uma pessoa terá exatamente o mesmo efeito antioxidante simplesmente ao comer uma maçã.
Comer com casca pode ser uma escolha simples
Se a maçã estiver adequada para consumo, lavar bem a fruta e mantê-la com a casca permite aproveitar mais partes do alimento.
Porém, não é necessário transformar isso em uma regra absoluta. Quem prefere descascar a maçã ainda estará consumindo uma fruta nutritiva, com água, fibras e diversos micronutrientes.
O ponto principal é outro: a casca não é apenas uma camada sem valor nutricional. Ela concentra compostos fenólicos que despertam interesse científico justamente por suas propriedades antioxidantes.
Por isso, sempre que possível, variar as frutas e consumir alimentos vegetais em sua forma menos processada pode ser uma estratégia simples para ampliar a variedade de fibras e compostos bioativos da alimentação.
