O hábito de 5 minutos ao acordar que reduz o cortisol e evita o cansaço mental à tarde

Um pequeno hábito matinal pode mudar a forma de começar o dia. (Imagem: Olena Starostenko de Star_O via Canva)

Começar o dia no modo acelerado pode fazer com que o cérebro passe horas funcionando como se estivesse diante de uma emergência. Antes mesmo do café da manhã, notificações, compromissos e preocupações já colocam o organismo em estado de alerta.

Uma estratégia extremamente simples pode ajudar a mudar esse cenário: reservar alguns minutos para respirar lentamente logo depois de acordar.

A ideia não é fazer uma técnica complicada de meditação. O objetivo é criar um breve intervalo de baixa estimulação para que a respiração fique mais controlada e o organismo saia gradualmente do ritmo acelerado.

Por que a respiração pode influenciar o cortisol

O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais e participa da resposta do organismo ao estresse. Seus níveis naturalmente variam ao longo do dia, inclusive no período próximo ao despertar.

Por isso, controlar o estresse não significa simplesmente tentar eliminar o cortisol. O organismo precisa desse hormônio. O problema aparece quando a ativação relacionada ao estresse se torna frequente ou excessiva.

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A respiração lenta pode atuar justamente sobre mecanismos envolvidos na regulação do sistema nervoso autônomo. Ao reduzir voluntariamente o ritmo respiratório, a pessoa cria um estímulo diferente daquele associado à pressa e à tensão.

E cinco minutos já podem ser suficientes para transformar esse momento em um ritual diário simples.

O que pesquisadores descobriram ao testar diferentes ritmos de respiração

Estudo compara ritmos de respiração lenta e efeitos no cortisol. (Imagem: Fala Ciência)

Uma pesquisa publicada em julho de 2026 no International Journal of Psychophysiology, com Kaileigh A. Byrne como autora principal, avaliou diferentes formas de respiração lenta em 32 participantes.

O estudo comparou um padrão respiratório de 4 segundos de inspiração e 6 segundos de expiração com uma variação que acrescentava uma pausa de 4 segundos após a inspiração. Os pesquisadores acompanharam, entre outros indicadores, o cortisol salivar, a atividade autonômica e a condutância da pele.

Os resultados mostraram uma redução maior do cortisol na condição que incluía a breve pausa respiratória. Entretanto, os autores também observaram que nem todos os indicadores fisiológicos apresentaram o mesmo comportamento e que não houve diferença significativa nas medidas subjetivas de estresse, humor e ativação.

Isso é importante porque o estudo não permite afirmar que cinco minutos de respiração pela manhã, isoladamente, impeçam o cansaço mental à tarde. O que ele oferece é uma evidência recente de que determinadas formas de respiração lenta podem modificar respostas fisiológicas relacionadas ao estresse.

Como transformar os primeiros minutos do dia em um ritual

A prática pode ser incorporada à rotina sem equipamentos ou aplicativos.

Ao acordar:

  • Sente-se confortavelmente e mantenha os ombros relaxados.
  • Inspire lentamente durante cerca de 4 segundos.
  • Se for confortável, faça uma pausa breve.
  • Expire de maneira controlada durante aproximadamente 6 segundos.
  • Repita por alguns minutos, sem forçar a respiração.

O mais importante é evitar transformar a técnica em uma competição. Respirar devagar não significa puxar o máximo de ar possível. Se houver tontura, desconforto ou falta de ar, a prática deve ser interrompida.

Além disso, o resultado de um único ritual não deve ser confundido com tratamento para estresse crônico, ansiedade, distúrbios do sono ou fadiga persistente.

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O detalhe que pode fazer diferença no restante do dia

A grande vantagem desse hábito está justamente na simplicidade. Em vez de começar a manhã imediatamente diante de telas, mensagens e tarefas, a pessoa cria um pequeno período de transição entre o sono e as exigências do dia.

Esse intervalo pode ajudar a diminuir a sensação de começar o dia já sobrecarregado. Porém, a disposição durante a tarde depende de vários fatores, principalmente qualidade do sono, alimentação, hidratação, atividade física e carga de estresse.

Portanto, os cinco minutos funcionam melhor como parte de uma rotina saudável, e não como uma solução isolada para o cansaço.

Quando transformada em hábito, uma breve sessão de respiração lenta pode ser uma maneira acessível de começar o dia com menos pressa e maior consciência corporal. E, diante das evidências recentes sobre seus efeitos fisiológicos, esse pequeno ritual merece atenção como uma ferramenta complementar para o gerenciamento do estresse.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn