Cachorro sente dor de cabeça? Estes sinais merecem atenção dos tutores 

Mudanças de comportamento podem indicar que o cachorro sente dor. (Imagem: Getty Images via Canva)

Um cachorro que se esconde, fica inquieto, evita brincadeiras ou procura um ambiente escuro pode estar demonstrando desconforto ou dor. Em alguns casos, esses comportamentos levantam uma dúvida curiosa: será que os cães também podem ter dor de cabeça ou até episódios semelhantes à enxaqueca?

A resposta ainda não é definitiva. Como os animais não conseguem descrever a localização, intensidade e características da dor, não existe atualmente um exame capaz de confirmar uma enxaqueca em cães. Mesmo assim, alguns padrões de comportamento chamam a atenção dos veterinários.

Mudança de comportamento

A chamada fotofobia, que é a intolerância ou sensibilidade à luz, pode aparecer quando um cachorro está sentindo dor. O animal pode procurar locais mais escuros, fechar parcialmente os olhos ou demonstrar desconforto quando exposto a ambientes muito iluminados.

Algo semelhante pode acontecer com sons. Um cão que normalmente tolera televisão, aspirador de pó ou movimentação da casa pode passar a evitar ruídos, ficar assustado ou procurar isolamento quando está indisposto.

Também merecem atenção sinais como:

Gostou dessa notícia?

Siga o canal do Fala Ciência no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão!

Entrar no Canal do WhatsApp
  • cabeça mantida em uma posição incomum;
  • menor interesse por brincadeiras;
  • redução do apetite;
  • vocalização diferente do habitual;
  • inquietação ou dificuldade para descansar;
  • maior sensibilidade quando a cabeça ou o pescoço são tocados.

Entretanto, nenhum desses sinais confirma uma enxaqueca sozinho.

A dor pode ter muitas origens

Infográfico detalhado em português sobre o diagnóstico de dor canina, diferenciando origens oculares e neurológicas, com ilustrações e testes médicos. (Imagem: Fala Ciência)

A sensibilidade à luz ou ao som não significa necessariamente que o problema esteja no cérebro. Doenças oculares, alterações neurológicas, problemas dentários, inflamações, infecções e lesões também podem provocar dor e mudanças de comportamento.

Por isso, observar o contexto é fundamental. Um cachorro que mantém os olhos semicerrados, lacrimeja ou evita ambientes claros, por exemplo, pode estar apresentando dor ocular, e não uma dor de cabeça.

Da mesma forma, alterações neurológicas podem provocar comportamento incomum e exigem investigação veterinária.

Estudo ajuda a entender como a dor é avaliada

Uma pesquisa publicada na revista Veterinary Anaesthesia and Analgesia, em 2026, avaliou como diferentes doses de opiranserina alteravam os limiares de nocicepção mecânica em cães da raça Beagle. O estudo foi liderado por Nahyun Kim, da Seoul National University.

O trabalho não investigou especificamente enxaqueca ou dor de cabeça. Ainda assim, ele é relevante para o tema porque mostra como pesquisadores podem avaliar objetivamente respostas relacionadas à dor em cães, uma tarefa especialmente importante diante da dificuldade de comunicação dos animais.

Esse cuidado é essencial porque reconhecer que um cão está sentindo dor é apenas o primeiro passo. Descobrir onde está o problema e qual é sua causa é o que permite definir o tratamento adequado.

Leia mais:

Não dê remédio humano por conta própria

Se o cachorro apresentar uma mudança repentina de comportamento, sensibilidade à luz, aparente dor na cabeça ou no pescoço, vômitos ou outros sinais neurológicos, o ideal é procurar atendimento veterinário.

Além disso, medicamentos usados para dor de cabeça em humanos não devem ser administrados ao animal sem orientação profissional. Alguns analgésicos comuns podem provocar intoxicações graves em cães.

A possibilidade de cães apresentarem episódios semelhantes à enxaqueca já foi descrita na literatura veterinária, mas continua sendo uma área com evidências limitadas. Portanto, mais importante do que tentar diagnosticar uma “enxaqueca” em casa é reconhecer mudanças no comportamento e investigar suas causas.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes