Azeite ou óleo de coco para cozinhar: qual opção resiste melhor ao calor sem ficar tóxica?

A escolha do óleo pode fazer diferença no preparo dos alimentos. (Imagem: Fala Ciência)

Na hora de preparar uma refeição, escolher entre azeite e óleo de coco parece uma decisão simples. Porém, quando a panela esquenta, a composição química de cada gordura passa a fazer diferença. O calor pode acelerar reações de oxidação, hidrólise e degradação, especialmente quando o óleo é submetido a temperaturas elevadas por períodos prolongados ou reutilizado várias vezes.

Por isso, a ideia de que um óleo simplesmente “vira tóxico” ao atingir determinada temperatura é uma simplificação. O que realmente importa é quanto tempo ele permanece aquecido, quantas vezes é reutilizado e quais compostos são formados durante esse processo.

Como o aquecimento altera a composição dos óleos 

Calor altera a química das gorduras e a estabilidade dos óleos. (Imagem: Fala Ciência)

Os óleos culinários são formados principalmente por diferentes tipos de ácidos graxos. De maneira geral, aqueles com maior quantidade de gorduras poli-insaturadas tendem a ser mais suscetíveis à oxidação durante o aquecimento.

O óleo de coco, por sua vez, apresenta uma concentração elevada de gorduras saturadas, enquanto o azeite é predominantemente rico em ácido oleico, uma gordura monoinsaturada.

Essa diferença influencia a estabilidade térmica. No entanto, isso não significa que o óleo de coco seja automaticamente a melhor escolha para qualquer preparo.

Gostou dessa notícia?

Siga o canal do Fala Ciência no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão!

Entrar no Canal do WhatsApp

Além da composição dos ácidos graxos, o azeite contém compostos fenólicos e antioxidantes que também participam de sua estabilidade. O tipo de azeite é relevante, já que o perfil químico varia entre produtos extravirgens, virgens e refinados.

Estudo colocou diferentes óleos à prova

Uma pesquisa publicada em 24 de julho de 2026 no Journal of Food and Nutrition Research, conduzida por Imran Ali e colaboradores, avaliou 11 óleos submetidos a ciclos repetidos de fritura.

Entre os produtos analisados estavam óleo de coco, azeite, canola, girassol, soja, milho, gergelim e outros óleos vegetais. Os pesquisadores acompanharam indicadores como índice de peróxidos, acidez, ácidos graxos livres e viscosidade.

Os resultados mostraram que a fritura repetida provocou aumento de marcadores associados à deterioração dos óleos, enquanto o índice de iodo diminuiu. O estudo também mostrou que o número de ciclos de fritura teve papel importante na degradação.

Assim, o problema não está apenas em escolher entre azeite ou óleo de coco. Reaquecer continuamente a mesma gordura é um fator importante para sua deterioração.

Então, qual dos dois é melhor para cozinhar?

Para o uso cotidiano, a resposta depende do preparo. Azeite e óleo de coco podem ser utilizados na cozinha, mas apresentam características nutricionais diferentes.

O azeite, especialmente o extravirgem, fornece gorduras monoinsaturadas e compostos fenólicos. Por isso, é uma opção interessante para uma alimentação equilibrada e pode ser utilizado em diversos preparos domésticos.

Já o óleo de coco possui grande quantidade de gordura saturada. Sua maior resistência à oxidação não transforma automaticamente o produto na alternativa mais saudável para o consumo habitual.

Além disso, temperaturas muito elevadas e períodos prolongados de aquecimento aumentam a degradação de praticamente qualquer óleo.

Veja mais:

A melhor estratégia está no jeito de usar

Mais importante do que procurar um óleo que jamais sofra alterações com o calor é evitar condições que aceleram sua deterioração.

Na prática:

  • não reutilize repetidamente o mesmo óleo;
  • evite deixar a gordura aquecendo sem necessidade;
  • não ultrapasse a temperatura necessária para o preparo;
  • descarte o óleo que apresentar alterações evidentes de cheiro, cor ou fumaça;
  • armazene os óleos protegidos de luz, calor e oxigênio.

Portanto, azeite e óleo de coco não são simplesmente “seguros” ou “tóxicos” quando aquecidos. A temperatura, o tempo de exposição e principalmente a reutilização determinam quanto a gordura se deteriora.

Para o consumo cotidiano, o azeite continua sendo uma escolha nutricionalmente interessante. Já o óleo de coco pode ter seu espaço na cozinha, mas deve ser encarado como uma fonte concentrada de gordura saturada, e não como uma gordura superior apenas por suportar melhor determinadas condições de aquecimento.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn