O treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) já é conhecido por sua eficiência na melhora do condicionamento físico e na redução de gordura corporal. No entanto, uma nova pesquisa mostra que seus efeitos podem ir além do momento do exercício, influenciando o metabolismo energético mesmo após o treino terminar.
Publicado na Scientific Reports em 2025 e conduzido por Yang BaiQuan, o estudo analisou como diferentes modalidades de HIIT afetam a composição corporal e o gasto energético em adultos jovens com obesidade.
Dois tipos de HIIT, dois efeitos no corpo
Os pesquisadores compararam dois formatos de treino ao longo de oito semanas:
- HIIT com corpo inteiro (WB-HIIT), baseado em exercícios de resistência sem equipamentos
- HIIT com corda de pular (JR-HIIT), com saltos contínuos de alta intensidade
- Grupo controle, sem intervenção de treino
Cada sessão seguia um padrão intenso de esforço curto e pausas rápidas, o que caracteriza o HIIT.
Resultados: perda de gordura e melhora física
Ao final do estudo, ambos os tipos de HIIT trouxeram mudanças positivas importantes. Em comparação ao grupo sem treino, os participantes apresentaram:
- Redução do peso corporal
- Diminuição do IMC
- Melhora da força muscular
Além disso, houve melhora na composição corporal de forma geral, indicando redução de gordura e melhora do desempenho físico.
Diferenças entre os tipos de treino
Apesar de ambos serem eficazes, cada modalidade apresentou efeitos específicos no corpo.
O JR-HIIT (corda de pular) teve maior impacto na redução de gordura:
- Maior queda na massa gorda
- Redução mais significativa do percentual de gordura corporal
Já o WB-HIIT (corpo inteiro) mostrou vantagem no ganho muscular:
- Maior aumento de massa muscular
- Melhor desempenho na força física
Ou seja, os resultados indicam que cada tipo de HIIT pode ser mais adequado dependendo do objetivo.
O que acontece depois do treino? O efeito “pós-queima”
Um dos pontos mais interessantes do estudo publicado na Scientific Reports em 2025 foi a análise do chamado consumo excessivo de oxigênio pós-exercício (EPOC).
Esse efeito representa o gasto energético que continua elevado após o treino. Os pesquisadores observaram que:
- O WB-HIIT aumentou mais o metabolismo pós-exercício
- Houve maior uso de gorduras e carboidratos como energia após o treino
- O corpo permaneceu em estado de maior gasto energético por alguns minutos após a atividade
Na prática, isso significa que o corpo continua queimando energia mesmo em repouso logo após o exercício.
Metabolismo mais ativo, mesmo sem grandes mudanças na dieta
Apesar do aumento do gasto energético, a ingestão calórica dos participantes não mudou de forma significativa. Isso indica que as mudanças observadas foram impulsionadas principalmente pelo treinamento físico, e não pela alimentação.
O que esse estudo mostra na prática
De forma geral, a pesquisa indica que o HIIT:
- Melhora a composição corporal em pessoas com obesidade
- Aumenta a força muscular
- Pode manter o metabolismo mais ativo após o exercício
- Apresenta efeitos diferentes dependendo da modalidade escolhida
Esses resultados ajudam a entender que o HIIT não é um modelo único. Pelo contrário, pequenas variações no tipo de treino podem gerar respostas diferentes no corpo, especialmente na forma como a energia é utilizada antes, durante e depois do exercício.
