Remédio mais barato funciona igual? O teste de laboratório que tira a dúvida de vez

Anvisa aprova genéricos após testes rigorosos. (Foto: Getty Images via Canva)

A dúvida é muito comum nas farmácias brasileiras: será que o remédio genérico funciona igual ao de marca? Como o preço é mais baixo, muita gente imagina que exista perda de qualidade. No entanto, no Brasil, essa resposta não é baseada em opinião, e sim em critérios científicos rígidos definidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Antes de chegar ao consumidor, todo genérico precisa passar por testes específicos que comprovam sua equivalência terapêutica com o medicamento de referência.

O teste que confirma se o remédio chega ao corpo da mesma forma 

O principal exame exigido pela Anvisa é o estudo de bioequivalência, que avalia como o organismo absorve e processa o medicamento.

Na prática, voluntários recebem o genérico e o medicamento de referência em momentos diferentes, e os pesquisadores medem como o princípio ativo se comporta no sangue.

Os parâmetros analisados incluem:

  • Quantidade absorvida pelo organismo
  • Velocidade de absorção
  • Tempo para atingir o efeito máximo
  • Concentração do medicamento no sangue ao longo do tempo

Esses dados formam um perfil que mostra se os dois medicamentos se comportam de maneira semelhante dentro do corpo.

De acordo com a definição da própria Anvisa, a bioequivalência é a demonstração de que dois medicamentos apresentam biodisponibilidade comparável, ou seja, chegam ao organismo de forma equivalente quando administrados nas mesmas condições .

Por que isso garante que o genérico funcione igual?

O ponto central é que o princípio ativo é exatamente o mesmo no genérico e no medicamento de referência. É ele que produz o efeito terapêutico.

A diferença pode estar apenas nos excipientes, que são substâncias inativas usadas para dar forma ao comprimido, estabilidade ou sabor. Esses componentes não alteram o efeito principal do medicamento.

Além disso, a Anvisa exige que o genérico apresente eficácia e segurança equivalentes, podendo ser intercambiável com o medicamento original após aprovação .

O que acontece antes do genérico chegar à farmácia

O processo regulatório no Brasil é rigoroso e envolve várias etapas:

  • Avaliação laboratorial do produto
  • Estudos de equivalência farmacêutica
  • Testes de bioequivalência em humanos
  • Análise documental pela Anvisa
  • Registro oficial para comercialização

Somente após todas essas etapas o medicamento pode ser vendido como genérico autorizado.

Genérico, referência e similar: não são a mesma coisa

No Brasil, existe uma diferença importante:

  • Genérico: comprovadamente bioequivalente e intercambiável
  • Referência: medicamento original de pesquisa
  • Similar: pode ou não ser intercambiável, dependendo de testes específicos

Essa distinção ajuda a garantir segurança na substituição de medicamentos.

O que isso significa na prática

Para o paciente, o impacto é direto: um genérico aprovado pela Anvisa funciona de forma equivalente ao medicamento de referência, com o mesmo efeito terapêutico esperado na maioria dos casos.

A principal diferença costuma estar no preço, não na eficácia.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn