Ver um cachorro parar durante o passeio para mastigar algumas folhas ou fios de grama parece uma cena absolutamente comum. De fato, comer plantas é um comportamento frequente entre cães e, isoladamente, não significa necessariamente que exista algum problema de saúde.
O perigo aparece quando o animal faz isso na rua, onde o tutor nem sempre consegue identificar qual planta está sendo ingerida, se houve aplicação de produtos químicos ou se existem sementes e estruturas vegetais capazes de causar lesões.
Por isso, o hábito merece atenção, principalmente quando deixa de ser ocasional.
Nem todo verde encontrado na rua é inofensivo
O primeiro problema é simples: nem toda planta é segura para cães. Durante um passeio, o animal pode encontrar espécies ornamentais, plantas espontâneas e ervas cuja toxicidade não é facilmente reconhecida.
Além disso, áreas públicas podem apresentar resíduos de produtos utilizados no controle de vegetação. Dessa maneira, mesmo uma planta que normalmente não ofereceria grande risco pode estar contaminada.
Outro ponto envolve a própria estrutura do vegetal. Sementes, espiguetas e partes rígidas de algumas gramíneas podem se prender ao pelo ou penetrar em tecidos, provocando inflamação e outros problemas.
Portanto, o risco não está necessariamente na grama em si, mas naquilo que pode estar misturado a ela.
Estudo chamou atenção para sementes de gramíneas
Uma pesquisa publicada em 19 de maio de 2026 no Veterinary Record investigou fatores associados à remoção de corpos estranhos formados por sementes de gramíneas em cães.
O estudo teve como primeiro autor Conor Rowan Twyford, da Queen’s Veterinary School Hospital, da Universidade de Cambridge. A pesquisa avaliou casos veterinários relacionados a esses corpos estranhos e investigou fatores associados à sua remoção.
O trabalho é relevante para os passeios porque mostra que estruturas vegetais podem deixar de ser apenas algo que o cachorro mastiga e passar a representar um corpo estranho com importância clínica.
Isso, entretanto, não significa que todo cão que come grama desenvolverá uma complicação. A evidência deve ser interpretada com cuidado: o estudo analisou casos veterinários de corpos estranhos relacionados a sementes, e não todos os cães que comem grama.
O contexto da ingestão faz toda a diferença
Estudos anteriores já mostraram que o consumo de plantas é bastante comum em cães. Portanto, não é correto concluir que o animal esteja doente simplesmente porque come grama ocasionalmente.
A situação merece mais atenção quando o comportamento é acompanhado por:
• vômitos repetidos
• perda de apetite
• dificuldade para engolir
• salivação incomum
• desconforto evidente
• alterações persistentes nas fezes
• tentativa insistente de mastigar grandes quantidades de vegetação
Nessas situações, a avaliação veterinária é importante para descobrir se existe alguma causa gastrointestinal ou outro problema associado.
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O passeio exige mais atenção do que parece
Permitir que o cachorro explore o ambiente faz parte de uma rotina saudável, mas comer qualquer planta encontrada na rua é diferente de simplesmente cheirar e investigar o ambiente.
A identificação da vegetação nem sempre é possível durante o passeio. Além disso, sementes e pequenas estruturas vegetais podem passar despercebidas.
Assim, o melhor cuidado é evitar que o animal transforme a mastigação de plantas desconhecidas em um hábito frequente. E, principalmente, qualquer alteração persistente depois da ingestão de vegetação deve ser discutida com um veterinário.
No fim, mastigar grama ocasionalmente pode fazer parte do comportamento normal de um cachorro, mas o ambiente externo apresenta riscos que não existem necessariamente em uma área controlada. O importante é observar o contexto, a frequência e qualquer mudança no comportamento do animal.
