Depois de passar 11 anos em uma casa, Cece voltou ao mesmo abrigo onde havia sido adotada. Aos 12 anos, a cadela idosa chegou novamente ao local em uma situação completamente diferente daquela que conhecia na juventude. Encontrada abandonada nas ruas, ela acabou entrando na lista de animais em risco diante da superlotação do abrigo.
Porém, alguns dias fora das grades revelaram algo que mudou completamente a percepção sobre a cachorra: Cece ainda tinha muito a oferecer como companheira.
Durante um período de acolhimento temporário, ela passeou, andou de carro, descansou em um restaurante, interagiu com adultos e crianças e se adaptou à rotina doméstica em pouco tempo. Além disso, apresentou uma mobilidade melhor do que aquela observada no abrigo.
A descoberta de que Cece era surda também ajudou a explicar seu comportamento anterior. O que poderia parecer desinteresse ou retraimento diante das pessoas era, em parte, consequência da perda auditiva. Em um ambiente movimentado, ela simplesmente não conseguia perceber boa parte do que acontecia ao redor.
Fora do abrigo, uma personalidade diferente apareceu
A transformação de Cece durante o período em uma casa temporária não é apenas uma história emocionante. Ela também conversa com o que a ciência já descobriu sobre o comportamento de cães idosos em abrigos.
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Entrar no Canal do WhatsAppUm estudo publicado na revista científica Frontiers in Veterinary Science em 21 de novembro de 2016, liderado pelo pesquisador Katsuji Uetake, acompanhou cães idosos recém-chegados a um abrigo e avaliou alterações comportamentais e níveis de corticosterona nas fezes, um dos indicadores utilizados para estudar respostas ao estresse.
Os pesquisadores observaram que os níveis de corticosterona permaneceram elevados durante a primeira semana. Ao mesmo tempo, os comportamentos dos animais mudaram conforme os dias passavam, indicando uma adaptação gradual ao novo ambiente.
Isso ajuda a compreender por que o comportamento observado dentro de um abrigo nem sempre representa completamente a personalidade de um cachorro.
No caso de Cece, a surdez provavelmente acrescentava outra dificuldade. Um ambiente movimentado pode ser especialmente confuso para um animal que não consegue utilizar a audição para interpretar a aproximação de pessoas, outros cães e diferentes acontecimentos.
Aos 12 anos, ela ainda descobriu novos caminhos
A idade também não significa que um cão tenha perdido a capacidade de se adaptar.
Cece demonstrou isso ao entrar em uma nova rotina e rapidamente apresentar comportamentos típicos de uma cadela de companhia. Ela caminhou, passeou de carro, conviveu com crianças, descansou em um ambiente doméstico e mostrou que ainda gostava de explorar.
Até seu comportamento mais curioso virou parte da história: segundo a atualização dos voluntários, Cece adorava colocar o focinho dentro da geladeira.
Ao mesmo tempo, existia uma questão médica importante. A cadela testou positivo para dirofilariose, doença parasitária conhecida como verme do coração, transmitida principalmente pela picada de mosquitos. O tratamento estava disponível por meio do abrigo para adotantes ou famílias temporárias na Geórgia, mas dependia de ela estar em um lar.
O telefone tocou com uma notícia inesperada
Apesar da idade, da surdez e do diagnóstico de dirofilariose, a história de Cece teve um desfecho que ninguém gostaria de perder.
A adoção foi confirmada em 14 de julho.
E havia ainda outro detalhe emocionante: duas famílias diferentes estavam esperando ao telefone para ter a oportunidade de adotá-la.
A situação mostra como a percepção sobre um animal pode mudar quando ele tem a oportunidade de sair temporariamente do ambiente do abrigo. Dentro da casinha, Cece parecia uma cadela idosa e retraída. Fora dali, revelou-se uma companheira capaz de caminhar, viajar de carro, conviver com crianças e se adaptar rapidamente a uma nova rotina.
Para uma cadela que havia sido adotada 11 anos antes e acabou retornando ao mesmo abrigo, encontrar novamente uma família representa uma mudança completa de trajetória.
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Uma segunda chance depois de 11 anos
Cece também apresentava características importantes para uma adoção: era treinada para fazer as necessidades no lugar certo, amigável com crianças, gostava de passeios de carro e caminhadas.
Ela não se dava bem com gatos, uma informação igualmente importante para encontrar uma família compatível.
O caso também lembra que cães idosos continuam capazes de formar vínculos e se adaptar a novos ambientes. A idade pode trazer limitações físicas, perda auditiva ou outras necessidades de cuidados, mas não elimina a capacidade de interação e adaptação.
No caso de Cece, alguns dias longe do abrigo foram suficientes para revelar uma personalidade que permanecia escondida atrás do comportamento observado naquele ambiente.
Aos 12 anos, depois de 11 anos desde sua primeira adoção, Cece voltou ao mesmo abrigo. Mas não precisou permanecer lá.
Ela foi adotada, e duas famílias estavam dispostas a esperar pelo telefone para dar a ela uma nova chance.
Para uma cadela que havia sido encontrada abandonada, esse talvez seja o capítulo mais bonito de toda a história!
