Por que o joelho ou as costas doem mais quando a temperatura cai ou a pressão do ar muda?

Frio e pressão do ar podem aumentar dores articulares. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Muitas pessoas percebem que o joelho começa a incomodar antes de uma mudança no tempo ou que a dor nas costas aumenta nos dias frios e úmidos. Durante muito tempo, essa relação foi vista apenas como uma impressão pessoal. Porém, pesquisas recentes indicam que fatores ambientais podem realmente influenciar a maneira como o organismo percebe determinados tipos de dor.

A explicação não está em uma única causa. Ela envolve alterações na sensibilidade dos nervos, rigidez dos tecidos, inflamação local e possíveis efeitos das variações de temperatura e pressão atmosférica sobre regiões já vulneráveis.

O clima muda o comportamento de articulações e músculos

O corpo humano possui estruturas sensíveis a alterações físicas, incluindo terminações nervosas presentes em músculos, tendões e articulações.

Quando a temperatura cai, ocorre uma tendência de maior contração muscular e redução da elasticidade dos tecidos. Como consequência, algumas pessoas podem sentir:

  • Maior rigidez ao acordar.
  • Dificuldade para movimentar articulações.
  • Aumento da percepção de dores antigas.
  • Sensação de “peso” em regiões afetadas.

Esse efeito costuma ser mais percebido por pessoas com condições como artrose, lesões antigas ou dores crônicas.

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Além disso, mudanças na pressão atmosférica podem alterar discretamente a forma como os tecidos se expandem e contraem. Em regiões onde já existe inflamação ou sensibilidade aumentada, essa variação pode ser percebida como desconforto.

Por que joelhos e costas costumam ser mais afetados?

Joelhos e costas sentem mais os efeitos do clima. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

O joelho é uma articulação submetida diariamente a grande carga mecânica. Quando existe desgaste da cartilagem ou inflamação, os receptores de dor ficam mais sensíveis.

Já a região das costas, especialmente a lombar, envolve músculos, discos entre as vértebras e diversas estruturas que podem responder a mudanças de temperatura, movimento e tensão muscular.

Por isso, pessoas com histórico de:

  • Dor lombar recorrente.
  • Artrose.
  • Inflamações articulares.
  • Lesões musculares.

podem perceber mais facilmente alterações relacionadas ao clima.

Pesquisadores avaliam os efeitos do ambiente sobre a dor corporal 

Um estudo publicado em 19 de fevereiro de 2026 na revista científica Scientific Reports, liderado por Michał Ochal, avaliou a influência de condições meteorológicas na ocorrência de dor lombar.

A pesquisa analisou registros populacionais e comparou episódios de dor com variáveis ambientais, incluindo temperatura e outros fatores climáticos. Os autores observaram que determinados padrões meteorológicos podem estar associados a alterações na ocorrência de dor lombar, embora os efeitos variem entre indivíduos.

Sentir mais dor no frio não significa necessariamente piora da doença

Um ponto importante é que a mudança no clima não significa obrigatoriamente que uma articulação esteja sofrendo uma nova lesão.

Em muitos casos, o que muda é a sensibilidade do sistema nervoso, a rigidez muscular ou a forma como o cérebro interpreta os sinais enviados pelo corpo.

Algumas medidas podem ajudar a reduzir o desconforto:

  • Manter-se em movimento com atividades leves.
  • Evitar longos períodos parado.
  • Aquecer músculos e articulações em dias frios.
  • Fortalecer a musculatura com orientação adequada.

A dor pode ser um aviso de que o corpo percebe mudanças ao redor

A relação entre clima e dor ainda está sendo estudada, mas novas pesquisas mostram que temperatura e outros fatores ambientais podem influenciar sintomas musculoesqueléticos.

Para quem percebe que o joelho ou as costas doem quando o tempo muda, observar esse padrão pode ajudar a entender melhor os gatilhos e buscar estratégias mais eficazes de controle da dor.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn