Perder massa muscular acelera drasticamente o risco de diabetes, diz estudo

Perder músculos pode aumentar o risco de diabetes. (Foto: Halfpoint via Canva)

Quando se fala em prevenção do diabetes, a maioria das pessoas pensa imediatamente em açúcar, obesidade ou histórico familiar. No entanto, existe outro fator que costuma passar despercebido e que exerce um papel fundamental na saúde metabólica: a massa muscular. Muito mais do que ajudar na força e na mobilidade, os músculos funcionam como um dos principais destinos da glicose circulante no organismo.

Por isso, perder massa muscular pode comprometer diretamente a capacidade do corpo de controlar os níveis de açúcar no sangue. Esse processo acontece de forma silenciosa ao longo dos anos e pode ser acelerado pelo sedentarismo, pelo envelhecimento, por dietas muito restritivas e até por emagrecimentos rápidos sem a ingestão adequada de proteínas.

Os músculos são grandes aliados do metabolismo

O tecido muscular é considerado o maior órgão responsável pela captação de glicose estimulada pela insulina. Depois das refeições, boa parte da glicose presente no sangue é direcionada para os músculos, onde será utilizada como fonte de energia ou armazenada na forma de glicogênio.

Quando a quantidade de músculo diminui, essa capacidade também cai. Como consequência, mais glicose permanece circulando na corrente sanguínea, aumentando a necessidade de produção de insulina pelo pâncreas. Com o passar do tempo, esse mecanismo favorece o desenvolvimento da resistência à insulina, uma das principais características do diabetes tipo 2.

Além disso, músculos ativos produzem substâncias conhecidas como miocinas, que ajudam a regular o metabolismo, reduzir processos inflamatórios e melhorar a sensibilidade à insulina.

Estudo recente fortalece a relação entre massa muscular e diabetes

Uma pesquisa publicada no Journal of Diabetes Investigation, em 24 de junho de 2025, liderada por Kazuki Aoyama, analisou dados de uma grande coorte nacional para investigar a relação entre massa corporal magra e o surgimento do diabetes.

Os pesquisadores observaram que indivíduos com menor índice de massa magra apresentaram risco significativamente maior de desenvolver diabetes ao longo do acompanhamento, mesmo após o ajuste para diversos fatores que influenciam a doença. Os resultados mostram que preservar a massa muscular pode ser um importante componente da prevenção metabólica e não apenas uma questão de desempenho físico.

Pequenas perdas podem fazer diferença ao longo dos anos

A perda muscular costuma ocorrer de maneira gradual, especialmente após os 30 anos, tornando-se mais intensa depois dos 50. Sem estímulos adequados, esse processo pode reduzir o gasto energético diário e dificultar ainda mais o controle da glicose.

Entre os fatores que mais aceleram essa perda estão:

  • sedentarismo;
  • baixa ingestão de proteínas;
  • dietas extremamente restritivas;
  • envelhecimento;
  • doenças crônicas e períodos prolongados de imobilização.

Quanto mais cedo esses fatores forem identificados, maiores são as chances de preservar a saúde metabólica.

Construir músculos também significa proteger a saúde

A boa notícia é que a massa muscular responde muito bem aos estímulos corretos, independentemente da idade. Exercícios de fortalecimento, alimentação equilibrada e consumo adequado de proteínas contribuem para manter os músculos ativos e melhorar a utilização da glicose pelo organismo.

Mais do que uma questão estética, preservar os músculos representa um investimento na prevenção de doenças metabólicas. Um corpo com maior quantidade de massa muscular tende a utilizar a glicose de maneira mais eficiente, reduzindo a sobrecarga sobre o pâncreas e colaborando para manter os níveis de açúcar dentro da normalidade.

Cuidar da massa muscular hoje pode significar menor risco de diabetes, melhor qualidade de vida e mais autonomia nas próximas décadas.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn