Dormir pouco todas as noites pode estar aumentando seu peso sem você perceber

Sono insuficiente afeta o metabolismo e a saúde. (Foto: Pixelshot via Canva)

Muitas pessoas acreditam que perder uma ou duas horas de sono ocasionalmente não faz tanta diferença. No entanto, a ciência mostra que reduzir o tempo de sono de forma contínua pode provocar mudanças importantes no organismo, mesmo quando a perda parece pequena.

Uma nova pesquisa indica que dormir cerca de 80 minutos a menos por noite durante seis semanas foi suficiente para aumentar o peso corporal e reduzir o nível de atividade física. Embora o ganho de peso observado tenha sido modesto, os pesquisadores alertam que esse efeito pode se tornar relevante quando o hábito se prolonga por meses ou anos.

Esses resultados mostram que o sono não serve apenas para descansar. Ele também participa da regulação do metabolismo, do equilíbrio hormonal e do gasto energético diário.

Uma pequena redução no sono já modifica a rotina do corpo

Ao contrário de estudos anteriores, que investigavam situações extremas de privação de sono, a nova pesquisa buscou reproduzir um cenário muito comum na vida real.

Em vez de dormir apenas quatro horas por noite, os participantes atrasaram o horário de dormir em aproximadamente 90 minutos, reduzindo o descanso em cerca de 80 minutos, em média, durante seis semanas.

Essa mudança é semelhante ao que acontece com muitas pessoas que ficam acordadas usando o celular, assistindo televisão ou trabalhando até tarde.

Mesmo sem alterações drásticas na rotina, os pesquisadores observaram mudanças mensuráveis no peso e no comportamento diário.

O organismo também ficou mais sedentário

Dormir menos não significou apenas passar mais tempo acordado.

Os participantes também passaram mais tempo sentados ou realizando atividades de baixa intensidade, aumentando o comportamento sedentário ao longo do dia.

Em média, houve um acréscimo de 17 minutos diários de sedentarismo. Entre homens e mulheres na pós-menopausa, esse aumento chegou próximo de 30 minutos por dia.

Esse resultado ajuda a explicar parte do ganho de peso observado, já que uma redução na movimentação diária diminui o gasto de energia.

Além disso, pesquisas anteriores já demonstraram que a privação de sono interfere em hormônios ligados ao apetite, ao metabolismo da glicose e ao armazenamento de gordura.

Ensaio clínico mostra impacto após apenas seis semanas

Os resultados foram publicados em 6 de julho de 2026 na revista Annals of Internal Medicine, em um estudo liderado por Faris M. Zuraikat, da Universidade Columbia.

O ensaio clínico randomizado acompanhou 95 adultos que normalmente dormiam entre sete e oito horas por noite. Durante seis semanas, eles reduziram moderadamente o tempo de sono e utilizaram dispositivos para monitorar tanto o descanso quanto a atividade física.

Ao final desse período, os pesquisadores verificaram que os participantes ganharam, em média, 0,5 kg, além de apresentarem aumento do comportamento sedentário. Os autores destacam que, embora esse ganho pareça pequeno, ele ocorreu em apenas seis semanas, sugerindo que a restrição leve e contínua do sono pode contribuir para um aumento progressivo do peso ao longo dos anos.

Dormir bem também faz parte da prevenção

Quando se fala em controle do peso, a atenção costuma ficar voltada apenas para alimentação e exercício físico. Embora esses fatores sejam fundamentais, o sono também merece espaço nessa equação.

Manter uma rotina regular de descanso contribui para o equilíbrio de diversos processos metabólicos e pode facilitar escolhas mais saudáveis durante o dia.

Algumas atitudes simples ajudam a melhorar a qualidade do sono:

  • manter horários regulares para dormir e acordar;
  • evitar telas nos minutos que antecedem o sono;
  • reduzir cafeína à noite;
  • deixar o ambiente escuro, silencioso e confortável.

Dormir bem não substitui uma alimentação equilibrada nem a prática de atividade física. Porém, cada vez mais estudos mostram que o sono adequado é um dos pilares da saúde metabólica e pode ajudar a evitar o ganho gradual de peso observado em muitos adultos.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn