Manchas amarelas na pálpebra? O que é o xantelasma e por que ele serve de alerta 

Xantelasma merece atenção além da estética. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Pequenas manchas amareladas nas pálpebras costumam ser vistas apenas como uma questão estética. No entanto, em muitos casos, elas podem funcionar como um importante sinal de alerta para alterações metabólicas e cardiovasculares. Conhecidas como xantelasma, essas placas se formam pelo acúmulo de lipídios na pele ao redor dos olhos e podem indicar que o organismo merece uma investigação mais detalhada.

Embora o xantelasma seja benigno e geralmente não cause dor ou prejuízo à visão, ele pode estar associado a níveis elevados de colesterol, triglicerídeos e outras alterações relacionadas ao risco cardiovascular.

Pequeno depósito de gordura que chama atenção

Olhos também podem revelar a saúde do coração. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

O xantelasma aparece como placas macias, levemente elevadas e de coloração amarelada, principalmente na parte interna das pálpebras superiores, embora também possa surgir nas inferiores.

Esses depósitos são formados por células repletas de colesterol, que se acumulam na pele ao longo do tempo.

Nem todas as pessoas com xantelasma apresentam colesterol alto. Ainda assim, sua presença aumenta a necessidade de investigar fatores como:

  • Colesterol LDL elevado
  • Triglicerídeos altos
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Histórico familiar de doenças cardiovasculares

Por esse motivo, o diagnóstico costuma ser acompanhado por exames laboratoriais para avaliar o perfil lipídico e outros indicadores metabólicos.

As pesquisas ampliaram a importância desse sinal

Durante muitos anos, discutiu-se se o xantelasma representava apenas um problema estético ou se poderia indicar um risco maior para doenças cardiovasculares.

Um estudo publicado na revista Atherosclerosis, com publicação em maio de 2026, liderado por Ehsan Rahimy, analisou milhares de pacientes utilizando um grande banco internacional de prontuários eletrônicos.

Os pesquisadores observaram que pessoas com xantelasma apresentaram uma incidência significativamente maior de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e ataque isquêmico transitório (AIT) tanto no curto quanto no longo prazo, quando comparadas a indivíduos sem essas lesões. Os autores sugerem que o xantelasma pode funcionar como um marcador clínico visível, indicando a necessidade de uma avaliação mais ampla dos fatores de risco cardiovascular.

Remover as manchas não elimina o risco

Hoje existem diferentes opções para retirar o xantelasma, incluindo cirurgia, laser, eletrocauterização e outros procedimentos dermatológicos.

Entretanto, eliminar a placa da pele não significa que a causa do problema tenha sido resolvida.

Se houver alterações no colesterol ou em outros fatores metabólicos, elas precisam ser tratadas para reduzir o risco de complicações futuras e também diminuir a chance de o xantelasma voltar a aparecer.

Um detalhe nos olhos que merece atenção

Nem toda pessoa com xantelasma desenvolverá uma doença cardiovascular. Da mesma forma, muitas pessoas com colesterol elevado nunca apresentam essas placas.

Ainda assim, o surgimento dessas manchas representa uma oportunidade importante para investigar a saúde de forma mais completa. Em vez de enxergá-las apenas como um incômodo estético, vale a pena considerá-las um possível aviso do organismo de que chegou o momento de avaliar o perfil lipídico, controlar fatores de risco e adotar hábitos mais saudáveis.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn