Vacina na gravidez derruba casos graves de bronquiolite em bebês 

Vacina na gestação protege o bebê desde o nascimento. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Os primeiros meses de vida representam um dos períodos mais delicados para o sistema respiratório dos bebês. É justamente nessa fase que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) se destaca como a principal causa de bronquiolite e de internações por complicações respiratórias. Agora, os primeiros resultados da vacinação de gestantes no Sistema Único de Saúde (SUS) mostram um impacto bastante expressivo: os casos graves em bebês com menos de seis meses caíram pela metade.

A estratégia começou a ser disponibilizada na rede pública em dezembro de 2025 e já demonstra como a imunização materna pode proteger a criança antes mesmo do nascimento.

Proteção começa ainda durante a gestação

A vacina é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez.

Após a aplicação, o organismo materno produz anticorpos contra o VSR, que atravessam a placenta e chegam ao bebê. Dessa forma, a criança nasce com proteção justamente no período em que seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e o risco de hospitalização é mais elevado.

Essa transferência natural de anticorpos já é utilizada para prevenir outras doenças e, agora, também passa a ser uma importante aliada no combate à bronquiolite.

Dados do SUS mostram queda expressiva dos casos graves

Os resultados apresentados durante a 7ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) do SUS, em julho de 2026, mostram um cenário bastante animador.

No primeiro semestre de 2026, o número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao VSR em bebês menores de seis meses caiu de 14.061 para 6.674, quando comparado ao mesmo período de 2025.

Isso representa uma redução de 52,5%, enquanto nas demais faixas etárias infantis a queda variou entre 8% e 13%.

Além disso, uma análise em andamento estima que aproximadamente 6,8 mil casos graves tenham sido evitados desde a introdução da vacinação materna.

Esses números sugerem que a estratégia teve impacto justamente no grupo considerado mais vulnerável às complicações respiratórias.

Outra ferramenta amplia a proteção dos recém nascidos

Além da vacinação das gestantes, o SUS também oferece o nirsevimabe, indicado para bebês prematuros e crianças pequenas com maior risco de desenvolver formas graves da infecção.

Diferentemente das vacinas tradicionais, esse medicamento é um anticorpo monoclonal, ou seja, oferece proteção imediata logo após a aplicação, sem depender da produção de anticorpos pelo organismo.

O nirsevimabe é recomendado principalmente para:

  • Prematuros com até 36 semanas e 6 dias de gestação.
  • Crianças de até 23 meses com doenças cardíacas congênitas ou doenças pulmonares crônicas.

Uma única dose oferece proteção por aproximadamente seis meses, período em que o risco de infecção pelo VSR costuma ser maior.

Prevenção pode evitar milhares de hospitalizações

A bronquiolite continua sendo uma das principais causas de internação em crianças pequenas durante a circulação do VSR. Por isso, reduzir os casos graves significa não apenas diminuir o número de hospitalizações, mas também reduzir complicações e a necessidade de cuidados intensivos.

Embora o acompanhamento dos resultados continue em andamento, os primeiros dados indicam que a vacinação durante a gestação já está modificando o cenário da doença no Brasil.

Para as gestantes elegíveis e para famílias de crianças que se enquadram nos critérios do nirsevimabe, procurar uma unidade de saúde é a melhor forma de receber orientação sobre a estratégia de proteção mais indicada para cada caso.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn