Muito tempo no celular pode afetar seu equilíbrio? Estudo aponta ligação pouco conhecida 

Celular e tontura podem estar mais ligados do que parece. (Foto: Nicolas Menijes via Canva)

Passar horas olhando para a tela do celular já foi associado a dores no pescoço, fadiga visual e desconforto muscular. Agora, uma pesquisa recente sugere que esse hábito também pode estar relacionado a episódios de tontura e sensação de desequilíbrio.

Embora nem toda tontura tenha origem no uso do smartphone, os pesquisadores observaram que pessoas que utilizam o aparelho por períodos prolongados tendem a apresentar alterações na postura da cabeça e no funcionamento de estruturas importantes para o equilíbrio corporal.

Os resultados chamam atenção porque mostram que o problema pode ir além do cansaço muscular, envolvendo mecanismos ligados à percepção da posição do pescoço e à estabilidade do corpo.

O pescoço também participa do equilíbrio

Quando olhamos para o celular, é comum inclinar a cabeça para frente durante vários minutos ou até horas. Essa postura aumenta a sobrecarga sobre a coluna cervical e pode modificar o funcionamento dos músculos e das articulações da região.

O pescoço possui receptores responsáveis pela propriocepção, um sistema que informa continuamente ao cérebro a posição da cabeça e do corpo no espaço.

Esse mecanismo trabalha em conjunto com:

  • A visão.
  • O ouvido interno.
  • O sistema nervoso central.

Quando essas informações deixam de estar bem sincronizadas, algumas pessoas podem perceber sensação de instabilidade, desequilíbrio ou tontura.

Pesquisa encontrou associação entre celular, postura e tontura

Celular pode influenciar o controle do equilíbrio. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Um estudo publicado na revista Journal of Prevention Assessment & Rehabilitation, em 17 de março de 2026, liderado por Musa Güneş, avaliou a relação entre o uso excessivo de smartphones, a postura cervical, a propriocepção (capacidade que o corpo tem de perceber a posição e o movimento de suas partes sem precisar olhar para elas) e sintomas de tontura.

Os pesquisadores verificaram que participantes com maior tempo de uso do celular apresentavam pior alinhamento da cabeça em relação ao pescoço, alterações na propriocepção cervical e pontuações mais elevadas em questionários relacionados à tontura e ao desequilíbrio.

Os autores também observaram uma associação entre essas alterações, sugerindo que o uso prolongado do smartphone pode contribuir para mudanças que afetam o controle do equilíbrio corporal. Apesar disso, o estudo destaca que são necessárias novas pesquisas para compreender melhor essa relação e confirmar seus mecanismos.

Nem toda tontura tem a mesma origem

É importante lembrar que tontura pode ter diversas causas, incluindo alterações no ouvido interno, pressão arterial, enxaqueca, problemas neurológicos, efeitos de medicamentos e distúrbios metabólicos.

Por isso, sentir tontura ocasionalmente após longos períodos usando o celular não significa, por si só, que o aparelho seja o responsável pelo sintoma.

Entretanto, quando a sensação aparece repetidamente após horas na mesma postura, vale a pena observar esse hábito e conversar com um profissional de saúde caso os episódios persistam.

Pequenas mudanças podem fazer diferença

Algumas atitudes simples ajudam a reduzir a sobrecarga sobre a coluna cervical durante o uso do smartphone:

  • Levantar o aparelho na altura dos olhos sempre que possível.
  • Fazer pausas regulares durante o uso prolongado.
  • Alternar posições ao longo do dia.
  • Realizar alongamentos orientados para pescoço e ombros.

Esses cuidados favorecem uma postura mais adequada e podem diminuir o estresse sobre músculos e articulações da região cervical.

O equilíbrio do corpo depende de vários sistemas

A pesquisa mostra que o uso excessivo do celular pode estar associado a alterações que vão além da postura. O funcionamento integrado entre pescoço, visão, ouvido interno e cérebro é essencial para manter o equilíbrio, e mudanças em um desses componentes podem influenciar os demais.

Embora ainda sejam necessários novos estudos, as evidências sugerem que usar o smartphone de forma consciente também pode ser uma maneira de cuidar da saúde musculoesquelética e do controle do equilíbrio.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn