Passar horas olhando para a tela do celular já foi associado a dores no pescoço, fadiga visual e desconforto muscular. Agora, uma pesquisa recente sugere que esse hábito também pode estar relacionado a episódios de tontura e sensação de desequilíbrio.
Embora nem toda tontura tenha origem no uso do smartphone, os pesquisadores observaram que pessoas que utilizam o aparelho por períodos prolongados tendem a apresentar alterações na postura da cabeça e no funcionamento de estruturas importantes para o equilíbrio corporal.
Os resultados chamam atenção porque mostram que o problema pode ir além do cansaço muscular, envolvendo mecanismos ligados à percepção da posição do pescoço e à estabilidade do corpo.
O pescoço também participa do equilíbrio
Quando olhamos para o celular, é comum inclinar a cabeça para frente durante vários minutos ou até horas. Essa postura aumenta a sobrecarga sobre a coluna cervical e pode modificar o funcionamento dos músculos e das articulações da região.
O pescoço possui receptores responsáveis pela propriocepção, um sistema que informa continuamente ao cérebro a posição da cabeça e do corpo no espaço.
Esse mecanismo trabalha em conjunto com:
- A visão.
- O ouvido interno.
- O sistema nervoso central.
Quando essas informações deixam de estar bem sincronizadas, algumas pessoas podem perceber sensação de instabilidade, desequilíbrio ou tontura.
Pesquisa encontrou associação entre celular, postura e tontura
Um estudo publicado na revista Journal of Prevention Assessment & Rehabilitation, em 17 de março de 2026, liderado por Musa Güneş, avaliou a relação entre o uso excessivo de smartphones, a postura cervical, a propriocepção (capacidade que o corpo tem de perceber a posição e o movimento de suas partes sem precisar olhar para elas) e sintomas de tontura.
Os pesquisadores verificaram que participantes com maior tempo de uso do celular apresentavam pior alinhamento da cabeça em relação ao pescoço, alterações na propriocepção cervical e pontuações mais elevadas em questionários relacionados à tontura e ao desequilíbrio.
Os autores também observaram uma associação entre essas alterações, sugerindo que o uso prolongado do smartphone pode contribuir para mudanças que afetam o controle do equilíbrio corporal. Apesar disso, o estudo destaca que são necessárias novas pesquisas para compreender melhor essa relação e confirmar seus mecanismos.
Nem toda tontura tem a mesma origem
É importante lembrar que tontura pode ter diversas causas, incluindo alterações no ouvido interno, pressão arterial, enxaqueca, problemas neurológicos, efeitos de medicamentos e distúrbios metabólicos.
Por isso, sentir tontura ocasionalmente após longos períodos usando o celular não significa, por si só, que o aparelho seja o responsável pelo sintoma.
Entretanto, quando a sensação aparece repetidamente após horas na mesma postura, vale a pena observar esse hábito e conversar com um profissional de saúde caso os episódios persistam.
Pequenas mudanças podem fazer diferença
Algumas atitudes simples ajudam a reduzir a sobrecarga sobre a coluna cervical durante o uso do smartphone:
- Levantar o aparelho na altura dos olhos sempre que possível.
- Fazer pausas regulares durante o uso prolongado.
- Alternar posições ao longo do dia.
- Realizar alongamentos orientados para pescoço e ombros.
Esses cuidados favorecem uma postura mais adequada e podem diminuir o estresse sobre músculos e articulações da região cervical.
O equilíbrio do corpo depende de vários sistemas
A pesquisa mostra que o uso excessivo do celular pode estar associado a alterações que vão além da postura. O funcionamento integrado entre pescoço, visão, ouvido interno e cérebro é essencial para manter o equilíbrio, e mudanças em um desses componentes podem influenciar os demais.
Embora ainda sejam necessários novos estudos, as evidências sugerem que usar o smartphone de forma consciente também pode ser uma maneira de cuidar da saúde musculoesquelética e do controle do equilíbrio.
