Existe um planeta onde o ano dura menos que um dia inteiro 

Neste planeta, um ano termina antes mesmo que um único dia chegue ao fim. (Imagem: Fala Ciência via Gemini)
Neste planeta, um ano termina antes mesmo que um único dia chegue ao fim. (Imagem: Fala Ciência via Gemini)

Na Terra, um dia corresponde ao tempo necessário para o planeta completar uma rotação sobre seu próprio eixo, enquanto um ano representa uma volta completa ao redor do Sol. Como nossa órbita leva cerca de 365 dias, estamos acostumados a imaginar que o ano sempre será muito maior que o dia.

Entretanto, o Universo não segue um único padrão. Alguns exoplanetas apresentam características tão extremas que essa relação simplesmente se inverte.

Quando a órbita vence a rotação

Em determinados sistemas planetários, alguns mundos orbitam suas estrelas a uma distância incrivelmente pequena. Essa proximidade faz com que a força gravitacional seja muito intensa, acelerando a velocidade orbital.

Como resultado, esses planetas conseguem completar uma volta inteira ao redor de sua estrela em poucas horas.

Ao mesmo tempo, sua rotação pode ocorrer de maneira mais lenta. Assim, o intervalo entre dois nasceres do astro acaba sendo maior do que o tempo necessário para concluir uma órbita completa.

Em outras palavras, o ano termina antes que o dia acabe.

Um exemplo impressionante entre os exoplanetas

Um dos casos mais conhecidos é o WASP-18b, um gigante gasoso extremamente próximo de sua estrela. Outros exoplanetas ultracurtos também apresentam períodos orbitais inferiores a um dia terrestre.

Esses mundos pertencem à categoria dos chamados planetas de período ultracurto, que completam uma órbita em menos de 24 horas.

Além da velocidade impressionante, eles enfrentam condições extremamente severas:

  • Temperaturas de milhares de graus;
  • Intensa radiação estelar;
  • Fortíssimas forças gravitacionais;
  • Grande probabilidade de travamento por maré, mantendo sempre a mesma face voltada para a estrela.

A gravidade molda esse comportamento

Quanto menor a distância entre um planeta e sua estrela, maior é a velocidade necessária para manter uma órbita estável. Esse princípio é explicado pelas leis da gravitação, responsáveis por governar o movimento dos corpos celestes.

Em muitos desses sistemas, a gravidade também desacelera a rotação do planeta ao longo do tempo, favorecendo o chamado travamento por maré.

Nessa situação, um hemisfério permanece continuamente iluminado, enquanto o outro fica mergulhado em uma noite permanente.

Como a ciência descobre mundos tão distantes?

A maioria desses planetas é identificada pelo método do trânsito. Sempre que um planeta passa em frente à sua estrela, ocorre uma pequena redução no brilho observado pelos telescópios.

Ao analisar a frequência dessas diminuições de luminosidade, os astrônomos conseguem calcular o período orbital, estimar o tamanho do planeta e obter diversas informações sobre suas características.

Esse método revolucionou o estudo dos exoplanetas e revelou milhares de mundos completamente diferentes daqueles presentes em nosso Sistema Solar.

O fato de existir um planeta onde um ano dura menos que um dia mostra como o Universo é capaz de produzir cenários que parecem contrariar nossa intuição. Na realidade, tudo obedece às mesmas leis da Física. O que muda é a combinação entre gravidade, distância orbital e movimento, criando alguns dos ambientes mais extraordinários já descobertos pela astronomia.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes

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