Dificuldade de concentração e raciocínio lento: um estudo associa esses sinais à carência de um nutriente comum em dietas modernas

Raciocínio lento pode ter relação com a alimentação. (Foto: Perfectwave via Canva)

Tem percebido mais dificuldade para manter o foco, organizar as ideias ou responder com rapidez em tarefas do dia a dia? Embora noites mal dormidas e o estresse estejam entre as causas mais conhecidas, a alimentação também pode influenciar diretamente o funcionamento do cérebro. Entre os nutrientes que mais chamam a atenção dos pesquisadores está a colina, uma substância essencial que muitas pessoas consomem em quantidade inferior à recomendada.

A colina participa da formação das membranas das células, do transporte de gorduras no fígado e, principalmente, da produção da acetilcolina, um neurotransmissor indispensável para memória, aprendizado, atenção e processamento das informações. Quando sua ingestão é insuficiente, diferentes funções cognitivas podem ser afetadas ao longo do tempo.

Nas dietas modernas, marcadas pelo alto consumo de alimentos ultraprocessados e pela redução de alimentos naturais ricos em nutrientes, a ingestão de colina pode ficar abaixo do ideal.

Um nutriente essencial que passa despercebido na alimentação

Ao contrário de vitaminas muito conhecidas, como a vitamina C ou a vitamina D, a colina ainda recebe pouca atenção, apesar de sua importância para o cérebro e para diversos órgãos.

Ela está presente principalmente em:

  • ovos, especialmente a gema;
  • peixes;
  • carnes;
  • fígado;
  • leite e derivados;
  • leguminosas e algumas oleaginosas, em menores quantidades.

Como o organismo produz apenas pequenas quantidades de colina, a maior parte deve ser obtida pela alimentação.

Pesquisa recente fortalece a ligação entre colina e desempenho cognitivo

Um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition, em janeiro de 2025, liderado por Ying-Ying Niu, acompanhou milhares de participantes do UK Biobank para investigar a relação entre o consumo de colina e a saúde cognitiva.

Os pesquisadores observaram que indivíduos com maior ingestão de colina apresentaram menor risco de desenvolver demência, doença de Alzheimer e comprometimento cognitivo leve, além de melhor desempenho em testes cognitivos quando comparados aos participantes com menor consumo do nutriente. Embora o estudo não tenha investigado especificamente pessoas com dificuldade de concentração no dia a dia, seus resultados fortalecem a importância da colina para a manutenção das funções cerebrais.

A lentidão mental nem sempre está ligada apenas ao cansaço

A dificuldade para manter o foco pode surgir por diversos motivos. Entretanto, quando a alimentação é pobre em nutrientes essenciais, o cérebro pode não receber todos os componentes necessários para funcionar de maneira eficiente.

Além da concentração reduzida, podem aparecer:

  • esquecimentos frequentes;
  • dificuldade para aprender novas informações;
  • queda no rendimento intelectual;
  • sensação de raciocínio mais lento;
  • fadiga mental ao realizar tarefas simples.

Embora esses sintomas não indiquem necessariamente falta de colina, eles devem ser investigados quando se tornam frequentes ou persistentes. 

Uma alimentação equilibrada continua sendo a melhor estratégia

A maioria das pessoas consegue atingir as necessidades diárias de colina por meio de uma alimentação variada. Por isso, antes de pensar em suplementos, o mais importante é investir em um padrão alimentar rico em alimentos naturais e pouco processados.

Quando há suspeita de deficiência nutricional ou sintomas persistentes, a avaliação por um médico ou nutricionista é fundamental para identificar a causa e indicar a melhor abordagem.

A saúde cerebral está diretamente ligada ao consumo adequado de nutrientes indispensáveis ao organismo. Entre eles, a colina ocupa um papel muito mais importante do que muitos imaginam, tornando-se uma aliada silenciosa da memória, da atenção e da velocidade de raciocínio.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn