Chá verde: o que muda no organismo ao incluir essa bebida na rotina 

Chá verde concentra compostos bioativos estudados pela ciência. (Imagem: Fala Ciência)

O chá verde é uma das bebidas naturais mais estudadas pela ciência nas últimas décadas. Produzido a partir das folhas da Camellia sinensis, ele se destaca pela elevada concentração de catequinas, compostos bioativos com ação antioxidante e anti-inflamatória que podem trazer diversos benefícios à saúde quando inseridos em uma alimentação equilibrada.

Muito além da fama de “chá para emagrecer”, pesquisas mostram que o consumo moderado de chá verde pode estar relacionado à proteção cardiovascular, ao controle do metabolismo, à saúde cerebral e até à redução do estresse oxidativo. No entanto, seus efeitos não são milagrosos e dependem de fatores como alimentação, atividade física e estilo de vida.

A seguir, veja os principais benefícios do chá verde respaldados pelas evidências científicas.

Rico em antioxidantes que ajudam a proteger as células

antioxidantes potentes que protegem suas células. (Imagem: Fala Ciência)

O maior diferencial do chá verde está na presença das catequinas, especialmente a epigalocatequina galato (EGCG), considerada um dos antioxidantes naturais mais potentes encontrados nos alimentos.

Esses compostos ajudam a neutralizar os radicais livres, moléculas produzidas naturalmente pelo organismo que, em excesso, favorecem o envelhecimento celular e aumentam o risco de diversas doenças crônicas.

Por isso, o consumo regular da bebida pode contribuir para reduzir o estresse oxidativo, um processo relacionado ao envelhecimento e ao desenvolvimento de alterações cardiovasculares e metabólicas.

Pode favorecer a saúde do coração

Outro dos principais benefícios do chá verde envolve o sistema cardiovascular.

Estudos indicam que as catequinas ajudam a preservar a função do endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos responsável por controlar sua dilatação. Além disso, alguns trabalhos sugerem melhora discreta da pressão arterial, da circulação e do perfil lipídico em determinadas populações.

Embora os resultados sejam promissores, o chá verde deve ser visto como um complemento aos hábitos saudáveis, e não como substituto de medicamentos prescritos.

Auxilia o metabolismo, mas sem efeitos milagrosos

É comum encontrar o chá verde associado ao emagrecimento. De fato, a combinação entre catequinas e cafeína pode aumentar discretamente o gasto energético e estimular a oxidação de gorduras.

Entretanto, o efeito costuma ser modesto.

A perda de peso depende principalmente de fatores como:

  • Déficit calórico adequado.
  • Prática regular de atividade física.
  • Sono de qualidade.
  • Alimentação equilibrada.

Ou seja, o chá verde pode contribuir, mas não promove o emagrecimento de forma isolada.

O cérebro também pode se beneficiar

Além da cafeína, o chá verde contém L-teanina, um aminoácido capaz de atravessar a barreira hematoencefálica.

Essa combinação desperta interesse porque pode favorecer o estado de alerta sem provocar o mesmo grau de agitação observado em outras bebidas estimulantes.

Algumas pesquisas também investigam possíveis benefícios sobre memória, concentração e desempenho cognitivo, embora ainda sejam necessários mais estudos para confirmar esses efeitos em diferentes grupos populacionais.

Pesquisadores avaliam os efeitos antioxidantes e metabólicos do chá verde

Uma revisão integrativa publicada na revista científica REMUNOM, em 8 de abril de 2026, liderada por Christian Neri Lameira, analisou estudos sobre os aspectos toxicológicos da Camellia sinensis e discutiu tanto seus benefícios quanto seus possíveis riscos. Os autores destacam que o chá verde contém compostos bioativos associados à ação antioxidante, anti-inflamatória e à melhora de parâmetros metabólicos observados em diferentes pesquisas. Ao mesmo tempo, a revisão chama atenção para o fato de que o consumo excessivo, principalmente na forma de extratos concentrados, pode aumentar o risco de efeitos adversos, como alterações hepáticas e interações medicamentosas. Esses achados mostram que os benefícios da bebida dependem da quantidade consumida e do contexto clínico de cada pessoa.

Pode ajudar no controle da glicemia

Outra área bastante estudada envolve o metabolismo da glicose.

Algumas evidências sugerem que os polifenóis presentes no chá verde podem melhorar a sensibilidade à insulina e contribuir para o controle da glicemia, principalmente quando associados à perda de peso e à prática de exercícios físicos.

Apesar disso, pessoas com diabetes não devem substituir tratamentos prescritos pelo consumo da bebida.

Como preparar o chá verde corretamente

Aprenda o preparo ideal do chá verde para manter toda a sua qualidade.(Imagem: Fala Ciência)

O modo de preparo influencia diretamente a quantidade de compostos bioativos presentes na bebida.

Algumas recomendações incluem:

  • Utilizar água entre 70°C e 80°C, evitando fervura excessiva.
  • Deixar as folhas em infusão por 2 a 3 minutos.
  • Consumir preferencialmente sem açúcar.
  • Evitar preparações muito concentradas.

Temperaturas muito elevadas podem alterar o sabor e reduzir parte das características sensoriais do chá.

Existe alguma contraindicação?

Apesar de ser considerado seguro para a maioria das pessoas quando consumido com moderação, o chá verde contém cafeína.

O consumo exagerado pode favorecer sintomas como:

  • Insônia.
  • Nervosismo.
  • Palpitações.
  • Desconforto gastrointestinal.

Além disso, suplementos e extratos concentrados de chá verde merecem atenção especial, pois apresentam concentrações muito superiores às encontradas na bebida tradicional.

Pessoas com doenças hepáticas, gestantes, lactantes e indivíduos que utilizam medicamentos continuamente devem conversar com um profissional de saúde antes de utilizar suplementos à base de chá verde.

Vale a pena incluir o chá verde na rotina?

Os benefícios do chá verde são sustentados principalmente pela presença de catequinas, antioxidantes naturais que vêm sendo amplamente estudados por seus efeitos sobre a saúde cardiovascular, metabólica e cerebral. No entanto, seus resultados aparecem quando fazem parte de um conjunto de hábitos saudáveis.

Consumido com moderação, o chá verde pode ser um excelente aliado da alimentação, oferecendo compostos bioativos capazes de contribuir para a proteção do organismo. Já o consumo exagerado ou o uso indiscriminado de extratos concentrados pode aumentar o risco de efeitos adversos. Como acontece com diversos alimentos funcionais, o equilíbrio continua sendo a melhor estratégia para aproveitar seus potenciais benefícios.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn