As famosas galáxias Antena, conhecidas por sua intensa formação de estrelas e pela espetacular colisão entre duas galáxias espirais, podem esconder algo ainda mais impressionante: um possível buraco negro supermassivo oculto em plena atividade.
Novas observações realizadas com o radiotelescópio ALMA identificaram sinais incomuns próximos ao núcleo da galáxia NGC 4039. O estudo, publicado no arXiv, sugere que uma região extremamente compacta e energética pode indicar a presença de um núcleo galáctico ativo profundamente enterrado sob gás e poeira. Os principais indícios encontrados pelos astrônomos incluem:
- Variações rápidas no brilho da fonte observada;
- Região emissora extremamente compacta;
- Temperaturas superiores a um milhão de Kelvin;
- Sinais incompatíveis com formação estelar comum;
- Possível presença de um AGN obscurecido.
Um laboratório cósmico em colisão
Localizadas a cerca de 70 milhões de anos-luz da Terra, as galáxias Antena formam um dos sistemas de fusão galáctica mais estudados pelos astrônomos. O choque gravitacional entre as duas estruturas criou enormes caudas de gás, poeira e estrelas, lembrando antenas de insetos, origem do nome do sistema.
Além do visual impressionante, essa interação desencadeou uma explosão gigantesca de formação estelar, tornando a região um verdadeiro laboratório natural para investigar a evolução das galáxias.
No entanto, fusões galácticas também podem alimentar buracos negros supermassivos, canalizando grandes quantidades de gás para o centro das galáxias.
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Entrar no Canal do WhatsAppO objeto que chamou atenção dos pesquisadores
Durante 52 observações realizadas ao longo de aproximadamente dois meses, os cientistas monitoraram emissões em frequência de 100 GHz usando o ALMA. O objetivo era detectar mudanças rápidas no brilho das fontes observadas. Entre duas regiões compactas identificadas, chamadas S3 e S4, foi a segunda que mais intrigou os pesquisadores.
A fonte S4 apresentou alterações luminosas em apenas 13 dias. Esse detalhe é fundamental porque mudanças tão rápidas só podem ocorrer em objetos extremamente pequenos em escala astronômica.
Com base nos cálculos, a região emissora teria menos de 13 dias-luz de diâmetro, compacta demais para ser explicada por aglomerados estelares, nuvens de poeira ou remanescentes de supernova.
Um buraco negro escondido pela poeira?
Outro ponto decisivo foi a temperatura extremamente elevada detectada na emissão da fonte S4. Os valores observados ultrapassam um milhão de Kelvin, algo difícil de explicar apenas por processos associados à formação de estrelas. Os pesquisadores acreditam que essa energia pode estar relacionada a um núcleo galáctico ativo (AGN), alimentado por um buraco negro supermassivo.
Curiosamente, o objeto não foi detectado em raios X de alta energia, o que sugere um cenário ainda mais incomum: o possível AGN estaria completamente encoberto por enormes quantidades de gás e poeira, formando um chamado AGN Compton-espesso. Agora, futuras observações com o JWST e o telescópio espacial NuSTAR poderão confirmar se as galáxias Antena realmente escondem um gigantesco buraco negro ativo em um estágio inicial de fusão galáctica.
