O que comer antes e depois do treino para não perder massa magra 

A proteína após o exercício fornece matéria-prima para os músculos. (Imagem: Fala Ciência)

Treinar com frequência e, ainda assim, perder massa muscular é uma preocupação comum para quem tenta emagrecer ou aumentar a definição corporal. Nesse cenário, a alimentação ao redor do treino pode fazer diferença, principalmente quando a pessoa passa muitas horas sem consumir proteínas ou reduz demais as calorias.

A boa notícia é que não é necessário montar uma refeição complicada. O mais importante é garantir proteína suficiente ao longo do dia, além de escolher carboidratos e outros nutrientes que ajudem a sustentar o exercício e a recuperação.

Antes do treino, energia e proteína trabalham juntas

Combinação de proteína e carboidrato para preparar o corpo antes do treino. (Imagem: Fala Ciência)

A refeição pré-treino deve preparar o organismo para o esforço. Por isso, uma combinação de proteína e carboidrato costuma ser uma estratégia interessante.

A proteína fornece aminoácidos utilizados na manutenção e na construção dos tecidos musculares. Já o carboidrato ajuda a disponibilizar energia para o exercício, especialmente em treinos mais longos ou intensos.

Algumas opções simples incluem:

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  • Iogurte natural com aveia e fruta
  • Ovos com pão integral
  • Frango com arroz em uma refeição maior
  • Leite ou bebida proteica com fruta
  • Sanduíche de atum ou frango

Entretanto, a quantidade e o horário dependem da rotina. Se a pessoa acabou de fazer uma refeição completa algumas horas antes do treino, talvez não seja necessário comer novamente imediatamente antes.

Depois do exercício, o músculo precisa de matéria-prima

Após o treinamento de força, o tecido muscular passa por processos de reparação e adaptação. Nesse período, consumir uma fonte de proteína ajuda a fornecer os aminoácidos necessários para a síntese de proteínas musculares.

Um estudo publicado em 2026 no The American Journal of Clinical Nutrition avaliou 65 adultos saudáveis treinados após uma sessão de exercícios para membros inferiores. Os participantes receberam uma quantidade equivalente a 0,25 g de proteína por quilo de peso corporal na forma de clara de ovo, ovo inteiro, salmão, carne suína, lentilhas ou micoproteína.

A síntese de proteína muscular aumentou após o exercício e a ingestão dos alimentos, sem diferenças significativas entre as fontes avaliadas. Na prática, os resultados mostram que diversos alimentos ricos em proteína podem fornecer matéria-prima para a recuperação muscular, sem que seja obrigatório recorrer a suplementos.

O trabalho teve Freyja A. D. Haigh como autora principal e foi publicado em 3 de fevereiro de 2026, com publicação no volume de abril do periódico.

Não é preciso correr para comer em minutos

Existe uma ideia bastante difundida de que o músculo entra em uma espécie de “janela anabólica” extremamente curta depois do exercício. A realidade é mais flexível.

Se a pessoa fez uma refeição com proteína antes do treino, não existe necessidade de consumir proteína imediatamente ao terminar a última série. O mais importante é que a ingestão proteica esteja distribuída adequadamente ao longo do dia.

Por outro lado, quem treinou em jejum ou passou várias horas sem comer pode se beneficiar de fazer uma refeição com proteína após o exercício.

Portanto, o relógio não precisa ser motivo de ansiedade. A qualidade da alimentação, a quantidade total de proteína e a regularidade do treinamento são mais importantes do que acertar um horário exato.

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Carboidratos também têm seu lugar

Eliminar carboidratos por medo de perder definição pode ser um erro, especialmente para quem pratica exercícios intensos.

Arroz, batata, aveia, frutas, pão e outros alimentos ricos em carboidratos podem ajudar na reposição de glicogênio muscular, a reserva de energia utilizada durante o exercício.

Depois do treino, uma combinação de proteína + carboidrato pode ser especialmente conveniente para quem precisa recuperar energia e voltar a treinar posteriormente.

Como montar o prato sem complicação

Para preservar massa magra, pense primeiro na proteína e depois complete a refeição com fontes de carboidratos e vegetais.

Uma refeição pós-treino pode ter, por exemplo:

frango + arroz + feijão + legumes

ou

ovos + batata + salada + fruta

ou ainda

iogurte + aveia + fruta + sementes, dependendo do horário e das necessidades individuais.

No fim das contas, não perder massa magra durante o processo de emagrecimento depende muito mais do conjunto da dieta e do treinamento do que de um alimento milagroso ou de um horário perfeito.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn