Após queda de 36 metros, cão fica preso em penhasco durante 17 horas

Carl reencontra seu dono após ser resgatado com vida. (Imagem: Corpo de Bombeiros da Cidade de Dickson/Facebook)

Uma tarde de passeio quase terminou em tragédia para Carl, um cão de cinco anos que desapareceu depois de explorar uma propriedade rural no Tennessee, nos Estados Unidos. O animal acabou descoberto em uma pequena saliência de um penhasco, depois de cair aproximadamente 36 metros.

O mais impressionante veio depois. Carl permaneceu preso durante cerca de 17 horas, enquanto equipes de resgate planejavam uma maneira segura de chegar até ele. Quando finalmente foi retirado, o cão apresentava apenas ferimentos leves e, poucos dias depois, já havia retomado sua rotina.

Os latidos revelaram onde o cachorro estava

Carl estava solto com outros cães enquanto explorava uma fazenda. O passeio parecia normal até que seu tutor percebeu que ele não havia retornado.

A procura ganhou um novo rumo quando os responsáveis ouviram latidos vindos da encosta. O problema era que o animal estava em uma área praticamente inacessível.

O cachorro havia parado em uma saliência localizada dezenas de metros abaixo do topo do penhasco. Para chegar até ele, não bastava simplesmente descer pela encosta. Uma operação mal planejada poderia colocar os próprios socorristas em risco.

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Por isso, integrantes de equipes especializadas em resgates em altura foram mobilizados.

Uma operação com cordas para salvar Carl

Carl aparece ao lado do dono após o emocionante resgate. (Imagem: Corpo de Bombeiros da Cidade de Dickson/Facebook)

Os bombeiros utilizaram um sistema de cordas e equipamentos de resgate vertical para alcançar o cachorro.

Um dos integrantes da equipe desceu cuidadosamente pelo penhasco até chegar à saliência onde Carl estava. Depois de alcançar o animal, o socorrista o colocou em uma mochila própria para transporte.

A etapa seguinte exigiu igualmente atenção. Com Carl protegido, os integrantes da equipe trabalharam juntos para içar o cachorro de volta ao topo.

Depois de aproximadamente 17 horas preso na encosta, o animal finalmente estava em segurança.

As patas dos cães têm um sistema natural de amortecimento

O caso também permite uma curiosidade interessante sobre a anatomia canina. Embora não seja possível afirmar que essa característica tenha sido responsável pela sobrevivência de Carl, as patas dos cães possuem uma estrutura especializada para lidar com impactos.

Um estudo publicado na revista Biology Open em 23 de novembro de 2017, liderado por Huaibin Miao, investigou justamente como as almofadas das patas caninas absorvem as forças produzidas pelo contato com o solo.

Os pesquisadores analisaram tecidos das almofadas plantares de cães e utilizaram microscopia e modelagem por elementos finitos para investigar seu funcionamento mecânico. O trabalho identificou uma estrutura formada por diferentes camadas, incluindo epiderme, derme e tecido subcutâneo.

A análise mostrou que essas camadas trabalham em conjunto. A região mais externa ajuda a atenuar o impacto, enquanto estruturas mais profundas contribuem para absorver, armazenar e dissipar parte da energia mecânica.

Isso ajuda a explicar por que as patas dos cães conseguem suportar impactos repetidos durante atividades como correr, saltar e caminhar.

Entretanto, é importante não extrapolar o resultado. O estudo investigou impactos relacionados ao contato das patas com o solo, não quedas de dezenas de metros. Portanto, não é possível dizer que o sistema de amortecimento das patas tenha protegido Carl durante a queda.

A sobrevivência do animal provavelmente esteve relacionada a vários fatores, como a trajetória da queda, o ponto de impacto e a saliência onde ele acabou parando.

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Depois do susto, Carl voltou a correr

Após o resgate, uma avaliação veterinária indicou que Carl havia sofrido apenas ferimentos leves. O animal apresentou rigidez durante alguns dias, mas sua recuperação foi rápida.

Pouco depois, ele já estava novamente correndo e perseguindo bolas, como fazia antes do acidente.

O caso impressiona não apenas pela altura da queda, mas também pela sequência de acontecimentos que permitiu que o cachorro fosse encontrado e retirado com segurança.

Carl passou uma noite inteira em uma encosta perigosa. No fim, porém, uma operação cuidadosamente planejada transformou uma situação que parecia desesperadora em um reencontro emocionante entre cachorro e tutor.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes