Durante muito tempo, o Border Collie foi considerado uma das principais referências quando o assunto é inteligência canina. A raça aparece com frequência no topo de rankings e é conhecida pela facilidade para aprender comandos, resolver tarefas e trabalhar em parceria com humanos.
Porém, um estudo que colocou 1.002 cães de 13 raças diferentes diante de uma série de desafios cognitivos trouxe um resultado inesperado. Os pesquisadores avaliaram habilidades como resolução de problemas, compreensão de gestos, controle de impulsos e comportamento diante de situações aparentemente sem solução.
O desempenho variou bastante entre as raças. E, quando os resultados das principais tarefas foram reunidos, o primeiro lugar acabou ficando com uma raça que talvez não seja a primeira que vem à cabeça quando se fala em cães inteligentes.
Um teste que colocou 13 raças diante de desafios diferentes
A pesquisa foi publicada na revista Scientific Reports em 29 de dezembro de 2022. O trabalho teve como primeira autora Saara Junttila, da Universidade de Helsinque, e avaliou 1.002 cães de 13 raças por meio de uma bateria padronizada de testes cognitivos.
Os pesquisadores analisaram diferentes aspectos do comportamento e da cognição, incluindo:
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Entrar no Canal do WhatsApp- capacidade de resolver problemas
- compreensão de gestos humanos
- controle inibitório
- persistência diante de uma tarefa difícil
- memória
- raciocínio lógico
Isso é importante porque inteligência não representa uma única habilidade. Um cão pode ser excelente em compreender comandos humanos, por exemplo, mas apresentar desempenho diferente quando precisa solucionar um problema espacial.
O Malinois se destacou onde precisava tomar decisões
Entre os testes utilizados estava o chamado desvio em V. Nele, o animal precisava encontrar uma maneira de contornar uma barreira transparente para alcançar uma recompensa. A tarefa avaliava principalmente a capacidade de resolver um problema espacial.
Outro teste analisava como os cães interpretavam gestos humanos, incluindo diferentes formas de apontar e direcionar a atenção.
Também houve uma situação em que o animal recebia acesso a uma recompensa dentro de uma caixa que não podia ser aberta. Nesse cenário, os pesquisadores observaram aspectos como persistência, independência e comportamento direcionado ao ser humano.
Considerando três tarefas usadas para a comparação geral, o Pastor Belga Malinois alcançou 35 de 39 pontos, enquanto o Border Collie ficou com 26 e o Hovawart com 25.
Porém, existe uma informação importante: o estudo não encontrou diferenças significativas entre as raças em memória ou raciocínio lógico.
Nem mesmo o campeão foi bom em tudo
O resultado fica ainda mais interessante quando os testes são analisados separadamente.
O Malinois apresentou desempenho menos favorável no teste do cilindro, utilizado para avaliar o controle inibitório. A tarefa exige que o cão resista ao impulso de tentar alcançar diretamente uma recompensa visível e, em vez disso, procure uma rota adequada.
Isso mostra por que chamar uma raça de “mais inteligente” exige cautela. Cognição canina envolve várias capacidades, e nenhuma raça apresentou superioridade absoluta em todas elas.
Além disso, características consideradas desvantajosas em determinado teste podem ser úteis em outras situações. Um cão de trabalho que precisa reagir rapidamente a estímulos, por exemplo, pode se beneficiar de um comportamento mais responsivo.
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Inteligência canina depende muito da habilidade observada
O estudo mostra que as diferenças entre raças aparecem principalmente em cognição social, resolução de problemas e controle inibitório.
Portanto, o resultado não “destronou” simplesmente o Border Collie. Ele ajuda a explicar que não existe um único tipo de inteligência em cães.
O desempenho de cada animal também depende de fatores individuais, treinamento, motivação e ambiente. Assim, mais do que escolher um campeão absoluto, a pesquisa oferece uma visão mais precisa sobre a impressionante diversidade cognitiva dos cães.
