A galáxia de Andrômeda, uma das grandes vizinhas cósmicas da Via Láctea, parece estar atravessando uma fase de desaceleração. Uma análise detalhada feita com imagens do Telescópio Espacial Hubble revelou que o nascimento de novas estrelas vem diminuindo há centenas de milhões de anos e sofreu uma queda especialmente acentuada no período mais recente.
O resultado chama atenção porque Andrômeda está relativamente próxima, a cerca de 2,5 milhões de anos-luz da Terra. Isso permite que os astrônomos estudem estrelas individuais e reconstruam, com uma precisão incomum, como a galáxia mudou ao longo do tempo.
Milhões de estrelas funcionam como um arquivo cósmico
Em vez de observar apenas o brilho geral de Andrômeda, os pesquisadores analisaram aproximadamente 200 milhões de estrelas registradas em dois grandes levantamentos do Hubble, o Panchromatic Hubble Andromeda Treasury e o Panchromatic Hubble Andromeda Southern Treasury.
A estratégia funciona porque estrelas de diferentes idades deixam pistas sobre a atividade de formação estelar. As mais jovens e massivas costumam apresentar tons mais azulados, enquanto estrelas mais antigas tendem a ser mais avermelhadas.
Com essas informações, a equipe dividiu partes do disco galáctico em milhares de pequenas regiões e reconstruiu a história do nascimento de estrelas em cada uma delas.
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Entrar no Canal do WhatsAppO estudo, liderado por Tobin M. Wainer, foi publicado em 2026 no The Astrophysical Journal. A análise combinou os dois levantamentos do Hubble e conseguiu investigar cerca de dois terços do disco onde Andrômeda forma estrelas.
O ritmo de nascimento das estrelas está caindo
Os números revelam uma mudança progressiva. Há aproximadamente 500 milhões de anos, Andrômeda apresentava uma atividade de formação estelar consideravelmente maior.
Na região analisada pelos dois levantamentos, a taxa média estimada foi de cerca de 0,445 massa solar por ano nos últimos 100 milhões de anos, enquanto caiu para aproximadamente 0,285 massa solar por ano nos últimos 20 milhões de anos. Quando os resultados são extrapolados para o disco inteiro, as estimativas ficam próximas de 0,67 e 0,43 massa solar por ano, respectivamente.
A queda fica ainda mais evidente nos últimos 40 milhões de anos, período em que a atividade diminuiu de maneira mais pronunciada.
No entanto, isso não significa que Andrômeda tenha parado de produzir estrelas. O que os dados indicam é uma redução progressiva do ritmo de formação estelar.
Um anel de estrelas ajuda a explicar a mudança
Uma das descobertas mais interessantes está na distribuição espacial dessa atividade.
A formação recente de estrelas em Andrômeda está fortemente concentrada em estruturas em forma de anel. Por isso, quando a atividade nesses anéis diminui, o efeito aparece de maneira significativa nas estatísticas de toda a galáxia.
Os pesquisadores interpretam esse comportamento como parte de uma desaceleração que vem ocorrendo há bilhões de anos, levando Andrômeda de uma fase mais ativa para o estado atual.
Isso também ajuda a explicar por que a queda observada não precisa significar que a galáxia simplesmente ficou sem matéria-prima para produzir estrelas.
M32 pode esconder uma pista importante
Existe ainda um elemento intrigante nas proximidades de Andrômeda: a pequena galáxia M32.
Ela aparece muito próxima do disco de Andrômeda quando observada no céu, embora sua posição tridimensional e sua história de interação com a galáxia maior ainda não estejam completamente determinadas.
Os dados mostram que uma região de Andrômeda próxima à M32 apresenta uma queda na formação estelar iniciada há cerca de 60 milhões de anos. Isso torna a galáxia satélite uma possível peça do quebra-cabeça, embora os pesquisadores ainda não possam estabelecer uma relação causal definitiva.
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Andrômeda ainda guarda muito mais segredos
O Hubble já permitiu reconstruir uma parcela extraordinariamente detalhada da história recente de Andrômeda, mas a investigação está longe de terminar.
Os pesquisadores pretendem combinar esses dados com observações feitas por telescópios terrestres para compreender melhor as transformações da galáxia.
No futuro, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman deverá ampliar ainda mais essa visão. Seu campo de observação muito maior permitirá estudar uma área extensa de Andrômeda e seu halo, abrindo a possibilidade de analisar centenas de milhões de estrelas adicionais.
Assim, a galáxia que parece estar diminuindo seu ritmo de formação estelar pode se transformar justamente em um dos melhores laboratórios naturais para entender como grandes galáxias envelhecem e mudam ao longo do tempo.
