Uma gigantesca estrutura de raios gama se espalha pelo céu da Via Láctea e pode ter uma origem muito mais compacta do que se imaginava. Conhecida como Bolha de Cygnus, ela ocupa uma região de milhares de anos-luz e apresenta partículas com energias extraordinárias. Agora, um estudo sugere que seu verdadeiro motor pode ser o microquasar Cygnus X-3.
Um pequeno sistema com energia gigantesca
Os PeVatrons galácticos são objetos capazes de acelerar partículas a energias de pelo menos um petaelétron-volt, equivalente a 1 quatrilhão de elétron-volts.
Quando essas partículas atravessam o espaço e encontram gás interestelar, podem gerar raios gama de altíssima energia. Dessa forma, a região onde a radiação é observada pode estar muito distante da fonte responsável pela aceleração. Essa possibilidade pode explicar a enorme extensão da Bolha de Cygnus.
Em estudo publicado em 21 de julho de 2026 no The Astrophysical Journal Letters, o astrônomo Zhaodong Shi e colaboradores analisaram Cygnus X-3 como possível origem da estrutura.
O microquasar que lança partículas pelo espaço
Um microquasar é formado por um objeto compacto, como uma estrela de nêutrons ou um buraco negro, orbitando uma estrela companheira. A intensa gravidade do objeto compacto captura matéria e pode gerar jatos e ventos extremamente energéticos.
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Entrar no Canal do WhatsAppCygnus X-3 está a aproximadamente 31.600 anos-luz da Terra e completa uma órbita em apenas 4,8 horas. Além disso, o sistema consegue acelerar partículas a pelo menos 30 PeV, colocando-o entre os aceleradores naturais mais extremos conhecidos na galáxia.
Para testar essa hipótese, os pesquisadores simularam a liberação contínua de partículas durante centenas de milhares de anos. O modelo conseguiu reproduzir características importantes da Bolha de Cygnus, incluindo seu brilho e a distribuição da emissão.
A simulação também indicou que apenas 1% a 3% da energia de Cygnus X-3 precisaria ser direcionada para a aceleração dessas partículas.
Novos telescópios podem solucionar o mistério
A hipótese ainda precisa ser comprovada. Atualmente, a emissão de Cygnus X-3 é difícil de separar daquela produzida por um aglomerado de estrelas jovens e massivas localizado na mesma região do céu.
Por isso, futuros observatórios poderão ser decisivos. O Cherenkov Telescope Array, o ASTRI e outros projetos de próxima geração deverão produzir imagens mais detalhadas dos raios gama.
Se os próximos dados confirmarem o cenário, Cygnus X-3 poderá ser identificado como o acelerador responsável por uma gigantesca bolha de partículas na Via Láctea.
