Rinite alérgica ou vasomotora? Um exame simples ajuda a separar as duas 

Teste ajuda a investigar a causa dos sintomas de rinite. (Imagem: Fala Ciência)

Nariz entupido, espirros e coriza nem sempre significam que existe uma alergia por trás. Em algumas pessoas, a mucosa nasal reage exageradamente a mudanças de temperatura, cheiros fortes, fumaça, poluição ou alimentos picantes, mesmo sem uma reação alérgica clássica. É aí que surge uma dúvida comum: como saber qual é a origem dos sintomas?

Um dos caminhos mais simples começa com a investigação de sensibilização alérgica, por meio do teste cutâneo de puntura, conhecido como prick test, ou da dosagem de IgE específica no sangue. Esses exames ajudam a verificar se o sistema imunológico reconhece determinados alérgenos, como ácaros, pólen, fungos ou pelos de animais.

Um pequeno teste pode revelar uma grande diferença

Conheça as diferenças entre rinite alérgica e não alérgica. (Imagem: Fala Ciência)

Na rinite alérgica, o contato com uma substância específica desencadeia uma resposta imunológica envolvendo a imunoglobulina E, ou IgE. Como consequência, ocorre liberação de mediadores inflamatórios, incluindo histamina, responsáveis por sintomas como espirros, coceira, secreção nasal e congestão.

Já na chamada rinite não alérgica ou vasomotora, o problema está mais relacionado à forma como os vasos sanguíneos, nervos e glândulas da mucosa nasal respondem aos estímulos. Por isso, a pessoa pode apresentar nariz escorrendo ou entupido sem possuir sensibilização alérgica detectável.

Um padrão bastante sugestivo é perceber sintomas principalmente quando há:

  • mudança brusca de temperatura;
  • contato com perfumes ou produtos de limpeza;
  • exposição à fumaça;
  • ar frio e seco;
  • ingestão de alimentos muito condimentados.

Ainda assim, os sintomas isoladamente não conseguem fechar o diagnóstico.

Resultado negativo não encerra a investigação

Um resultado negativo no prick test ou na IgE específica torna a rinite alérgica sistêmica menos provável, mas não significa necessariamente que não exista uma resposta alérgica restrita ao nariz.

Essa situação é conhecida como rinite alérgica local. Nela, mecanismos relacionados à alergia podem ocorrer predominantemente na mucosa nasal, sem a sensibilização sistêmica identificada pelos exames convencionais.

Por isso, quando existe uma forte suspeita clínica apesar dos testes negativos, o especialista pode recorrer a métodos mais específicos, como o teste de provocação nasal com alérgeno e, em determinadas situações, a pesquisa de IgE específica nas secreções nasais.

Estudo ajuda a entender essa diferença

Um estudo publicado em 2 de março de 2026 no International Forum of Allergy & Rhinology, liderado por Zengxiao Zhang, avaliou 181 pessoas com rinite crônica sem evidência de alergia sistêmica e 146 indivíduos saudáveis.

Os pesquisadores analisaram a IgE específica presente nas secreções nasais e compararam os resultados com o teste de provocação nasal. O trabalho identificou um grupo com níveis elevados de IgE local associado a marcadores de inflamação do tipo 2, incluindo IL-4, IL-5, CCL5 e CCL11.

O achado é importante porque mostra por que um exame convencional negativo nem sempre conta toda a história.

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O melhor caminho começa pela investigação correta

Portanto, não existe um teste caseiro capaz de separar com segurança os dois tipos de rinite. O caminho mais prático é combinar histórico dos sintomas, identificação dos gatilhos e testes de alergia.

Se o teste indicar sensibilização a determinado alérgeno e os sintomas forem compatíveis, a hipótese de rinite alérgica ganha força. Por outro lado, quando os exames são negativos e os sintomas aparecem principalmente diante de estímulos físicos ou irritantes, a rinite não alérgica passa a ser considerada.

Além disso, casos persistentes ou difíceis de classificar podem exigir avaliação com alergista ou otorrinolaringologista. Essa distinção é importante porque rinite alérgica e rinite vasomotora podem exigir estratégias de tratamento diferentes.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn