Uma estrela massiva chegou ao fim de sua existência em uma explosão colossal, mas foi um breve clarão de raios X que entregou o segredo escondido em seu interior. Detectado pela sonda Einstein Probe, o sinal revelou uma das manifestações mais raras associadas a supernovas e trouxe evidências de que um magnetar ultradenso e extremamente veloz pode ter nascido após o colapso estelar.
Um clarão que quase passou despercebido
O fenômeno, identificado como EP250827b, inicialmente apareceu de forma muito fraca nos dados da sonda. Sozinho, o sinal não era suficiente para confirmar que se tratava de um evento real. A situação mudou quando o Zwicky Transient Facility, observatório terrestre que monitora mudanças no brilho do céu, encontrou uma nova supernova na mesma região apenas 5,5 horas depois.
O evento recebeu o nome SN 2025wkm. A combinação das observações permitiu acompanhar a explosão durante semanas em diferentes comprimentos de onda, incluindo raios X, ultravioleta, luz visível, infravermelho e rádio.
Os dados indicaram uma supernova do tipo Ic-BL, caracterizada pela ausência de hidrogênio e hélio detectáveis e pela velocidade excepcional do material expelido. Os espectros mostraram detritos viajando a aproximadamente 40 mil quilômetros por segundo.
A supernova apresentou um comportamento inesperado
A maior surpresa surgiu quando os astrônomos analisaram a evolução do brilho. Normalmente, uma supernova perde luminosidade gradualmente após atingir seu pico, em parte devido ao decaimento radioativo do níquel-56 produzido durante a explosão.
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Entrar no Canal do WhatsAppA SN 2025wkm, porém, apresentou um platô de luminosidade por cerca de 20 dias. Esse comportamento indicou que havia uma fonte adicional de energia mantendo a explosão brilhante.
O estudo publicado em The Astrophysical Journal Letters, em 22 de julho de 2026, liderado por Gokul P. Srinivasaragavan, mostrou que o decaimento radioativo não explicava sozinho o fenômeno.
O possível nascimento de um magnetar
A explicação mais compatível envolve um magnetar, uma estrela de nêutrons extremamente compacta formada pelo colapso do núcleo de uma estrela massiva.
Os modelos estimaram um campo magnético de aproximadamente 5 × 10¹⁴ gauss e um período de rotação de apenas 1,9 milissegundo. Em outras palavras, o objeto recém-formado poderia girar centenas de vezes por segundo.
Essa rotação extremamente rápida libera energia para os detritos da explosão, ajudando a explicar por que a supernova permaneceu brilhante por tanto tempo.
O evento representa o quarto clarão de raios X associado a uma supernova identificado pela Einstein Probe, oferecendo uma oportunidade rara de compreender como estrelas gigantes terminam suas vidas e como magnetares podem alimentar algumas das explosões mais violentas do Universo.
