Acordar com o rosto inchado, marcas fundas do lençol na pele e sensação de exaustão pode ser sinal de cortisol alto à noite 

Alterações no cortisol podem afetar o descanso e o despertar. (Imagem: Fala Ciência)

Você dormiu por muitas horas, mas acordou com o rosto inchado, marcas profundas do travesseiro e do lençol na pele e uma sensação de cansaço que parece não passar? Embora esses sinais possam ter diversas causas, uma delas envolve o funcionamento do cortisol, hormônio que segue um ritmo natural ao longo do dia. Se o cortisol continua elevado durante o período noturno, o corpo pode encontrar mais dificuldade para alcançar um descanso profundo e reparador. 

É importante destacar que esses sinais, por si só, não indicam necessariamente níveis elevados de cortisol. Entretanto, quando surgem acompanhados de sono de baixa qualidade, estresse constante e cansaço que persiste ao longo do dia, vale buscar uma avaliação profissional para investigar a causa. 

A noite deveria ser um período de recuperação para o organismo

O equilíbrio entre melatonina e cortisol define sua qualidade de sono. (Imagem: Fala Ciência)

O cortisol é conhecido como o hormônio do estresse, mas também participa da regulação do metabolismo, da pressão arterial e do ciclo de sono e vigília. Em condições normais, sua concentração diminui ao anoitecer, permitindo que a melatonina atue com mais eficiência na preparação do organismo para dormir.

Quando esse ritmo natural sofre alterações, o corpo pode permanecer em um estado de maior alerta. Como consequência, o sono tende a ficar mais fragmentado e menos reparador, mesmo que a pessoa permaneça várias horas na cama. No dia seguinte, podem surgir fadiga, dificuldade de concentração e sensação de que o descanso não foi suficiente.

As marcas fundas na pele ao acordar costumam estar relacionadas à compressão dos tecidos durante o sono e podem ficar mais evidentes quando existe retenção de líquidos, posição prolongada ao dormir ou alterações na qualidade do descanso.

Estudo amplia o conhecimento sobre o cortisol no período noturno

Uma pesquisa publicada na revista científica BMC Psychology, em 26 de junho de 2026, liderada por Lennart Seizer, investigou a relação entre os níveis de cortisol no período da noite e o estado emocional ao despertar. O estudo mostrou que participantes com cortisol mais elevado à noite apresentaram maior persistência de emoções negativas na manhã seguinte, sugerindo que alterações na atividade desse hormônio podem influenciar a recuperação emocional durante o sono.

Embora o trabalho tenha avaliado principalmente aspectos emocionais, os resultados ajudam a compreender como um cortisol elevado no período noturno pode interferir na qualidade do descanso e na sensação de recuperação ao acordar.

Observar o conjunto dos sinais faz toda a diferença

Acordar com o rosto inchado ou com marcas do travesseiro não significa, necessariamente, que o cortisol esteja elevado. Esses sinais também podem estar relacionados ao consumo excessivo de sal, à posição ao dormir, à hidratação inadequada e a outras condições de saúde.

Entretanto, quando aparecem de forma frequente juntamente com estresse crônico, dificuldade para dormir, despertares noturnos e cansaço persistente, vale investigar a causa. Identificar alterações no sono e adotar hábitos que favoreçam o equilíbrio do ritmo circadiano pode contribuir para um descanso mais eficiente e para uma melhor qualidade de vida.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn