Muita gente acredita que cãibras noturnas e aquela pálpebra que insiste em tremer são apenas consequência do estresse ou do cansaço. Embora esses fatores realmente possam desencadear os sintomas, eles também podem ser um dos primeiros indícios de que o organismo está com níveis insuficientes de magnésio, um mineral indispensável para o funcionamento dos músculos, dos nervos e de centenas de reações químicas do corpo.
O problema é que a deficiência costuma surgir de forma discreta. Em vez de provocar sinais intensos logo no início, ela pode aparecer aos poucos, fazendo com que pequenos desconfortos sejam encarados como algo sem importância. Por isso, reconhecer esses sintomas precocemente pode ajudar a identificar alterações que merecem avaliação médica.
Músculos e nervos começam a dar pequenos avisos
O magnésio participa da transmissão dos impulsos nervosos e do processo de contração e relaxamento muscular. Quando sua disponibilidade diminui, esse equilíbrio pode ficar comprometido, favorecendo o surgimento de movimentos involuntários e desconfortos musculares.
Entre os sinais mais conhecidos estão:
- Cãibras nas pernas, principalmente durante a noite.
- Tremor na pálpebra, conhecido como mioquimia.
- Pequenos espasmos musculares.
- Sensação de músculos mais rígidos.
- Fadiga persistente.
- Dificuldade para relaxar após esforços físicos.
Entretanto, é importante destacar que esses sintomas não significam, por si só, deficiência de magnésio. Eles também podem estar relacionados à desidratação, excesso de exercícios, uso de alguns medicamentos, privação de sono, consumo elevado de cafeína ou outras condições clínicas.
Nem sempre o problema está apenas na alimentação
Embora uma dieta pobre em alimentos ricos em magnésio aumente o risco de deficiência, existem outras situações que também podem reduzir seus níveis.
Entre elas estão:
- doenças gastrointestinais que prejudicam a absorção;
- diabetes mal controlado;
- uso prolongado de alguns diuréticos e inibidores da bomba de prótons;
- consumo excessivo de álcool;
- envelhecimento, que pode alterar a absorção intestinal e aumentar as perdas do mineral.
Por esse motivo, simplesmente iniciar suplementos sem orientação não é a melhor estratégia. O excesso também pode provocar efeitos indesejáveis, especialmente em pessoas com comprometimento da função renal.
Estudo recente mostra que o magnésio nem sempre resolve todas as cãibras
Uma revisão sistemática publicada em 7 de abril de 2026 na revista The Egyptian Journal of Neurology, Psychiatry and Neurosurgery, liderada por Habiblah Jagunmolu, analisou os principais ensaios clínicos sobre suplementação de magnésio. Os autores observaram que o mineral apresentou benefício mais consistente para cãibras relacionadas à gestação, enquanto, em adultos com cãibras noturnas idiopáticas, os resultados permaneceram inconsistentes entre os estudos.
Esses achados mostram que, embora o magnésio seja fundamental para a função muscular, nem toda cãibra é causada por sua deficiência. A identificação da origem do problema continua sendo essencial antes de qualquer tratamento.
Alimentação continua sendo a principal aliada
Na maioria das pessoas, a melhor forma de manter níveis adequados de magnésio é investir em uma alimentação variada.
Boas fontes incluem:
- sementes de abóbora;
- castanhas e amêndoas;
- espinafre e outras folhas verde-escuras;
- feijões e lentilhas;
- aveia;
- cacau e chocolate amargo.
Se as cãibras se tornam frequentes, a pálpebra permanece tremendo por vários dias ou surgem sintomas como fraqueza importante, palpitações ou alterações neurológicas, a avaliação médica é importante para investigar a causa e definir se existe realmente deficiência de magnésio ou outra condição envolvida.
