O que o alecrim, o manjericão e o ginkgo fazem no cérebro

Estudos ligam ervas à saúde cerebral. (Foto: TrueCreatives via Canva)
Estudos ligam ervas à saúde cerebral. (Foto: TrueCreatives via Canva)

Com o passar do tempo, é natural que a memória e a concentração não funcionem como antes. Isso acontece, em parte, por processos como estresse oxidativo e inflamações que afetam as células cerebrais.

Por causa disso, a ciência tem investigado plantas ricas em compostos bioativos que possam ajudar a proteger o cérebro e apoiar a cognição.

Ginkgo biloba: foco em proteção e circulação cerebral

O Ginkgo biloba é uma das plantas mais estudadas quando o assunto é função cognitiva.

Segundo a revisão publicada em Neurotherapeutics (2019) por Singh et al., o extrato da planta é amplamente pesquisado por seus possíveis efeitos antioxidantes e neuroprotetores, especialmente em contextos ligados ao Alzheimer e ao declínio cognitivo.

O estudo aponta que o Ginkgo biloba pode atuar na proteção contra danos oxidativos e na melhora da circulação cerebral, o que é essencial para o funcionamento do cérebro. No entanto, os autores destacam que os resultados em humanos ainda são inconsistentes e continuam em investigação.

Alecrim: memória e desempenho cognitivo em estudos

O alecrim (Rosmarinus officinalis) ganhou atenção científica por seu potencial efeito na cognição.

Uma revisão publicada no Brazilian Journal of Medical and Biological Research (2022) por Hussain et al. analisou dezenas de estudos em animais e encontrou resultados consistentes de melhora cognitiva.

De forma geral, o alecrim mostrou efeitos positivos tanto em animais saudáveis quanto em modelos com comprometimento da memória. Compostos como o ácido rosmarínico podem estar ligados a esse efeito, principalmente por sua ação antioxidante.

Manjericão: proteção cerebral em nível celular

O manjericão (Ocimum basilicum) também aparece em revisões científicas como uma planta com potencial neuroprotetor.

Segundo Seyed et al. (2021), publicado no Futur Journal of Pharmaceutical Sciences, a planta contém compostos como flavonoides, eugenol e ácido rosmarínico, que apresentam ação antioxidante e podem atuar em mecanismos ligados à proteção dos neurônios.

A revisão conclui que, embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários mais estudos clínicos em humanos para confirmação dos efeitos.

O que essas três plantas têm em comum?

Ginkgo, Alecrim e manjericão atuam no cérebro. (Fotos via Canva)
Ginkgo, Alecrim e manjericão atuam no cérebro. (Fotos via Canva)

Mesmo sendo diferentes, alecrim, manjericão e ginkgo compartilham um ponto central: a presença de compostos bioativos com ação antioxidante.

Em estudos científicos, esses compostos estão associados a:

  • redução do estresse oxidativo no cérebro
  • proteção de células neurais
  • melhora da cognição em modelos experimentais
  • suporte a funções ligadas à memória

Apesar dos resultados promissores, a maior parte das evidências vêm de estudos pré-clínicos ou revisões experimentais.

Isso significa que essas plantas não são tratamentos, mas sim fontes naturais de compostos que continuam sendo estudados pela ciência por seu potencial no suporte à saúde cerebral.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn