A alimentação exerce um papel fundamental na saúde, especialmente após um diagnóstico de câncer. No entanto, além dos nutrientes, um fator vem ganhando destaque na ciência: o nível de processamento dos alimentos. Estudos recentes apontam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode impactar negativamente a sobrevivência a longo prazo.
Um estudo divulgado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention e liderado por Marialaura Bonaccio em fevereiro de 2026 investigou como a ingestão desses alimentos se relaciona com o risco de morte entre pessoas que sobreviveram ao câncer.
O que são alimentos ultraprocessados e por que preocupam
Os alimentos ultraprocessados são produtos industriais que passam por diversas etapas de processamento e contêm ingredientes como:
- Aditivos químicos
- Conservantes
- Aromatizantes artificiais
- Açúcares e gorduras em excesso
Além disso, costumam ser pobres em fibras, vitaminas e minerais, essenciais para o bom funcionamento do organismo.
Mesmo quando apresentam composição nutricional semelhante à de alimentos naturais, esses produtos podem afetar o corpo de maneira diferente, principalmente por interferirem na microbiota intestinal e nos processos metabólicos.
O que o estudo revelou sobre mortalidade

A pesquisa acompanhou mais de 24 mil pessoas ao longo de aproximadamente 15 anos, incluindo mais de 800 sobreviventes de câncer. Ao analisar os dados, os pesquisadores observaram que:
- Indivíduos com maior consumo de ultraprocessados tiveram 48% mais risco de morte por todas as causas
- O risco de morte por câncer foi 59% maior nesse grupo
Esses resultados se mantiveram mesmo após ajustes para fatores como idade, estilo de vida e qualidade geral da dieta.
Isso sugere que o impacto negativo não está apenas nos nutrientes, mas também no processamento industrial dos alimentos.
O papel da inflamação no organismo
Para entender os mecanismos por trás dessa associação, os pesquisadores analisaram diversos biomarcadores de saúde. Os dados indicaram que o consumo elevado de ultraprocessados pode estar relacionado ao aumento de:
- Inflamação no organismo
- Alterações metabólicas
- Elevação da frequência cardíaca em repouso
Esses fatores, por sua vez, estão ligados a maior risco de doenças e pior prognóstico em pacientes.
Nem todos os ultraprocessados agem da mesma forma
O estudo também avaliou diferentes categorias de alimentos ultraprocessados, como:
- Bebidas açucaradas
- Carnes processadas
- Produtos ricos em açúcar
- Alimentos ricos em amido
Embora alguns grupos tenham mostrado maior associação com mortalidade, os resultados reforçam que o mais importante é observar o padrão alimentar como um todo, e não apenas alimentos isolados.
Como aplicar essas descobertas no dia a dia
Os achados reforçam a importância de priorizar uma alimentação baseada em alimentos naturais ou minimamente processados, especialmente após o diagnóstico de câncer.
Algumas estratégias incluem:
- Reduzir o consumo de produtos industrializados
- Dar preferência a alimentos frescos
- Preparar refeições em casa
- Ler rótulos e evitar produtos com muitos ingredientes
Essas alterações no estilo de vida podem ajudar a melhorar a qualidade de vida e podem até favorecer uma maior expectativa de sobrevida.
O estudo traz evidências importantes de que o consumo de alimentos ultraprocessados pode estar associado a um maior risco de mortalidade em sobreviventes de câncer. Mais do que contar calorias ou nutrientes, considerar o grau de processamento dos alimentos pode ser essencial para a saúde a longo prazo.
Adotar uma alimentação mais natural pode ser um passo decisivo na promoção do bem-estar e na prevenção de complicações.

