Um sinal discreto no intestino pode evoluir para câncer com o passar dos anos

Alguns pólipos aumentam risco de câncer colorretal. (Foto: TrueCreatives via Gemini)
Alguns pólipos aumentam risco de câncer colorretal. (Foto: TrueCreatives via Gemini)

O intestino pode desenvolver pequenas alterações na sua parede interna chamadas de pólipos intestinais. O mais preocupante é que, na maioria das vezes, eles surgem de forma silenciosa, sem dor e sem sinais claros.

Com o passar dos anos, algumas dessas alterações podem evoluir para câncer colorretal, principalmente quando não são identificadas e removidas a tempo.

Um estudo divulgado em 2026 na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, realizado por Geraldine Laven-Law, avaliou milhares de exames e apontou que determinados padrões de pólipos podem estar associados a um maior risco de progressão da doença.

Nem todo pólipo é igual, mas alguns exigem atenção imediata

Os pólipos intestinais não são todos iguais. Alguns são mais simples, enquanto outros podem evoluir lentamente para situações mais graves.

De forma prática:

  • Pólipos hiperplásicos: geralmente benignos e com baixo risco
  • Adenomas: podem evoluir para câncer ao longo do tempo
  • Pólipos serrilhados: também podem ter potencial de transformação

O ponto mais importante do estudo é que o risco aumenta quando existem diferentes tipos de pólipos ao mesmo tempo, indicando um intestino mais suscetível a alterações futuras.

O que a pesquisa encontrou em milhares de exames

O estudo avaliou mais de 8 mil colonoscopias ao longo de anos de acompanhamento. Os resultados mostraram que cerca de 11% dos pacientes apresentaram sinais de neoplasia avançada na colonoscopia de seguimento.

Os casos com maior risco foram aqueles em que:

  • Havia mais de um tipo de pólipo simultaneamente
  • Existia histórico prévio de lesões intestinais
  • As alterações eram consideradas mais avançadas

Esses dados mostram que o intestino pode seguir diferentes caminhos de evolução ao mesmo tempo, aumentando a necessidade de vigilância.

O perigo maior: não sentir absolutamente nada

Um dos maiores desafios é que o intestino pode mudar de forma completamente silenciosa. Em muitos casos, a pessoa só descobre o problema durante exames de rotina.

Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:

  • Sangue nas fezes
  • Mudanças persistentes no intestino
  • Dor abdominal frequente
  • Anemia sem causa aparente
  • Perda de peso inexplicada

Mesmo assim, esses sinais costumam surgir em fases mais avançadas, o que torna o rastreamento ainda mais essencial.

O exame que pode interromper o problema antes do câncer

A colonoscopia é o principal exame para identificar esses sinais silenciosos. Ela é fundamental porque permite:

  • Detectar pólipos ainda pequenos
  • Remover lesões no mesmo procedimento
  • Enviar material para análise laboratorial

Ou seja, ela pode interromper a evolução do câncer antes que ele apareça.

Quem precisa ficar mais atento

A recomendação geral é iniciar o rastreamento a partir dos 45 anos. Porém, algumas pessoas precisam começar antes, principalmente:

  • Quem tem histórico familiar de câncer intestinal
  • Pessoas com pólipos anteriores
  • Pacientes com doenças inflamatórias intestinais

Nessas situações, o monitoramento geralmente precisa ser mais próximo e cuidadoso.

Hábitos que ajudam a reduzir o risco

Além dos exames, o estilo de vida também tem impacto direto na saúde intestinal.

Entre as principais medidas estão:

  • Alimentação rica em fibras
  • Redução de ultraprocessados
  • Atividade física regular
  • Controle do peso corporal
  • Evitar excesso de carnes processadas

Essas mudanças ajudam a manter o intestino mais saudável e reduzem o risco de alterações ao longo do tempo.

O risco pode crescer em silêncio por anos

O estudo publicado por Geraldine Laven-Law , mostra que o intestino pode desenvolver alterações que evoluem de forma lenta e silenciosa, sem qualquer sintoma no início.

O ponto mais importante é que, quando detectadas cedo, essas lesões podem ser tratadas e removidas antes de virar câncer. Por isso, o rastreamento regular e a atenção aos sinais do corpo são essenciais para a prevenção.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn