O aumento das temperaturas nas grandes cidades costuma ser associado ao concreto, aos prédios e à falta de áreas verdes. No entanto, uma nova pesquisa mostra que existe outro fator importante contribuindo para o aquecimento urbano: o trânsito de veículos.
Motores, escapamentos, pneus e até o atrito dos carros com o asfalto liberam calor constantemente nas ruas. Em regiões com congestionamentos intensos, esse efeito pode elevar significativamente a temperatura do ambiente, especialmente durante ondas de calor.
O estudo analisou duas cidades europeias e revelou que o tráfego pode influenciar diretamente o chamado fenômeno da ilha de calor urbana, situação em que áreas urbanas permanecem mais quentes do que regiões rurais próximas. Entre os principais fatores identificados pelos pesquisadores estão:
- Emissão contínua de calor por veículos a gasolina e diesel;
- Acúmulo térmico em ruas estreitas e pouco ventiladas;
- Intensificação do calor durante horários de pico;
- Maior retenção de temperatura no período noturno;
- Impacto crescente durante ondas de calor extremas.
O calor que os veículos espalham pelas cidades
Boa parte da energia gerada por carros movidos a gasolina e diesel não é utilizada apenas para deslocamento. Uma quantidade considerável acaba liberada no ambiente em forma de calor, principalmente pelo motor, escapamento e demais componentes mecânicos.
Além disso, fatores como o atrito dos pneus com o asfalto, o aquecimento dos freios e a própria retenção térmica das vias pavimentadas intensificam ainda mais a temperatura urbana. Em regiões com muitos prédios e pouca circulação de ar, esse calor permanece acumulado por períodos prolongados.
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Entrar no Canal do WhatsAppPara analisar esse impacto, os pesquisadores criaram um sistema de modelagem climática capaz de estimar quanto calor o tráfego adiciona ao ambiente urbano. O estudo considerou variáveis como fluxo de veículos, tipos de combustível, características das ruas e condições atmosféricas.
Cidades europeias mostraram padrões distintos de aquecimento
Os cientistas utilizaram informações coletadas em Toulouse, na França, e Manchester, no Reino Unido. Mesmo apresentando climas e estruturas urbanas diferentes, ambas demonstraram que o trânsito exerce influência direta sobre a elevação da temperatura do ar.
Na cidade francesa, o aquecimento provocado pelos veículos começava nas primeiras horas do dia e continuava acumulado até o período noturno. Já em Manchester, os efeitos mais intensos apareciam após o pico de tráfego da noite, mantendo o ar mais quente durante a madrugada.
Outro resultado importante mostrou que o impacto térmico dos automóveis foi mais perceptível nos meses frios, quando determinadas condições atmosféricas favorecem a retenção do calor nas áreas urbanas.
O trânsito pode se tornar peça-chave no combate ao calor urbano
Atualmente, muitas estratégias contra o superaquecimento das cidades priorizam soluções como arborização, criação de áreas verdes e materiais urbanos capazes de refletir mais luz solar. No entanto, o estudo indica que a redução do uso de veículos movidos por combustíveis fósseis também pode ajudar significativamente nesse processo.
A expansão dos veículos elétricos, somada ao incentivo ao transporte coletivo e à mobilidade sustentável, pode reduzir não apenas as emissões de gases poluentes, mas também o calor acumulado nas cidades.
Com o avanço das mudanças climáticas e o aumento das ondas de calor, entender como o trânsito interfere na temperatura urbana deverá se tornar cada vez mais importante para o planejamento das cidades do futuro.
