Há 56 milhões de anos, o território que hoje corresponde ao Wyoming (EUA) tinha uma paisagem muito diferente. Grandes árvores, palmeiras e outras plantas subtropicais formavam florestas densas. Entretanto, durante o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno, conhecido como PETM, uma rápida elevação do carbono atmosférico provocou intenso aquecimento e alterou esses ecossistemas.
Agora, células preservadas em folhas fossilizadas ajudaram os pesquisadores a reconstruir parte dessa transformação.
O formato das células conta uma história
A equipe utilizou fragmentos da cutícula foliar, uma camada microscópica que pode permanecer preservada nas rochas durante milhões de anos. O formato das células epidérmicas varia conforme a quantidade de luz recebida pela folha.
Em uma floresta fechada, folhas localizadas sob a copa recebem menos luz e desenvolvem células mais alongadas. Já aquelas expostas diretamente ao Sol apresentam características diferentes.
Com base nessa relação, os pesquisadores desenvolveram um método para estimar o índice de área foliar, ou IAF, uma medida usada para determinar a densidade da cobertura vegetal.
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Entrar no Canal do WhatsAppO estudo de Regan Dunn e colaboradores, publicado na revista Science em 13 de agosto de 2026, utilizou fósseis da Bacia de Hanna, no Wyoming, para reconstruir a estrutura das antigas florestas.
Quando o calor abriu espaço entre as árvores
Os resultados indicam que a cobertura florestal diminuiu durante o PETM. O aumento do carbono atmosférico veio acompanhado de temperaturas mais elevadas e condições mais secas, aumentando o estresse sobre a vegetação.
Com menos árvores, o ambiente também poderia sofrer alterações na ciclagem da água, erosão, nutrientes e armazenamento de carbono.
O paralelo com o presente chama atenção. Atualmente, as florestas enfrentam simultaneamente aquecimento, secas, incêndios, pragas, doenças e desmatamento.
Além disso, a emissão humana de dióxido de carbono ocorre em uma velocidade muito superior à observada durante o PETM. Por isso, essas folhas fossilizadas funcionam como um arquivo natural do clima, mostrando que o aquecimento pode transformar profundamente a estrutura das florestas.
