Duas pessoas podem seguir praticamente a mesma dieta com baixo teor de carboidratos e terminar com resultados muito diferentes nos exames de sangue. Enquanto uma apresenta pouca alteração no colesterol, outra pode observar uma elevação significativa do LDL, conhecido como colesterol ruim.
Uma nova análise sugere que a explicação não está apenas nos alimentos escolhidos. A genética também parece influenciar a maneira como o organismo reage à gordura saturada, especialmente quando ela ocupa uma parcela maior da alimentação.
O colesterol não responde da mesma maneira para todo mundo
Dietas low carb costumam reduzir alimentos ricos em carboidratos e, dependendo da composição escolhida, podem aumentar a participação de gorduras e proteínas nas refeições.
O problema aparece quando essa substituição envolve grande quantidade de gordura saturada, presente em alimentos como manteiga, carnes gordurosas e alguns produtos processados.
Nesse cenário, algumas pessoas apresentam uma elevação mais expressiva do LDL. Entretanto, a resposta não é igual para todos.
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Entrar no Canal do WhatsAppPara investigar essa diferença, os pesquisadores analisaram dados do estudo DIETFITS, um ensaio clínico que acompanhou mais de 600 adultos durante um ano. Para a nova análise, foram utilizados dados genéticos disponíveis de 431 participantes.
Uma combinação de genes chamou atenção
Em vez de observar apenas uma alteração genética isolada, os pesquisadores reuniram milhares de variantes espalhadas pelo genoma para calcular uma pontuação genética relacionada ao LDL.
O resultado mostrou que participantes com maior predisposição genética para níveis elevados de LDL apresentaram uma relação mais forte entre o consumo de gordura saturada e as alterações do colesterol quando estavam na dieta com baixo teor de carboidratos.
Na prática, isso ajuda a explicar por que uma estratégia alimentar pode produzir respostas metabólicas muito diferentes entre indivíduos.
Ainda assim, o resultado não significa que os genes determinem sozinhos o colesterol. Peso corporal, composição da dieta, quantidade de gordura saturada, atividade física e outros fatores também participam dessa equação.
Trocar carboidratos por qualquer gordura não é a mesma coisa
Um dos pontos mais importantes é que uma dieta low carb não precisa ser baseada em grandes quantidades de gordura saturada.
Existem fontes de gordura predominantemente insaturada que podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, como:
- azeite de oliva
- abacate
- castanhas e outras oleaginosas
- sementes
- peixes ricos em gorduras insaturadas
Assim, reduzir carboidratos não significa automaticamente aumentar manteiga, carnes gordurosas ou alimentos ultraprocessados.
O exame de sangue continua sendo uma peça importante
A pesquisa também traz uma mensagem prática: a resposta individual à dieta merece atenção.
O acompanhamento do colesterol LDL antes e depois de mudanças importantes na alimentação pode mostrar como o organismo está reagindo. Isso é especialmente relevante para pessoas que já apresentam alterações no colesterol ou outros fatores de risco cardiovascular.
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A pesquisa foi apresentada na NUTRITION 2026
O trabalho teve Alexa Barad como primeira autora e foi apresentado na NUTRITION 2026, reunião anual da American Society for Nutrition. A análise específica sobre genética, gordura saturada e LDL também está disponível como preprint, publicado em 8 de agosto de 2026.
É importante destacar que essa versão é um preprint e ainda não passou por revisão por pares em uma revista científica, portanto os resultados precisam ser interpretados com cautela.
Por enquanto, a principal mensagem é que não existe uma resposta metabólica necessariamente idêntica para todas as pessoas. Para quem adota uma dieta low carb, a qualidade das fontes de gordura e o acompanhamento dos exames podem ser tão importantes quanto a quantidade de carboidratos retirada do prato.
