Há 66,5 milhões de anos, um dos maiores predadores que já caminharam pela Terra atravessou uma paisagem que hoje pertence à Dakota do Norte, nos Estados Unidos. O animal não deixou apenas ossos ou dentes para trás. Seus passos ficaram registrados no solo e, agora, uma sequência rara de pegadas permite reconstruir parte de seu deslocamento.
O achado corresponde ao primeiro rastro completo atribuído a um T. rex adulto, e não apenas a uma pegada isolada. Para os paleontólogos, isso é especialmente importante porque fósseis corporais mostram a anatomia do animal, enquanto as pegadas podem registrar um instante do comportamento, incluindo direção, passada e velocidade.
Quatro pegadas preservaram uma caminhada pré-histórica
O rastro foi localizado na Formação Hell Creek, uma das regiões mais importantes para o estudo dos últimos dinossauros do Cretáceo. A sequência possui aproximadamente 7 metros de extensão e reúne quatro pegadas tridáctilas, ou seja, marcas deixadas por um pé com três dedos.
Cada impressão mede cerca de 0,9 metro de comprimento, uma dimensão compatível com um grande tiranossaurídeo adulto. Além disso, o formato relativamente estreito dos dedos e a grande quantidade de fósseis de Tyrannosaurus rex encontrados nas proximidades ajudaram os pesquisadores a apontar o famoso predador como o provável responsável pelo rastro.
A sequência apresenta:
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Entrar no Canal do WhatsApp- Duas pegadas do lado esquerdo e duas do lado direito
- Passadas de aproximadamente 4 metros
- Marcas individuais próximas de 90 centímetros
- Um percurso estimado em cerca de 7 metros
Embora pegadas isoladas já tenham sido relacionadas a adultos da espécie, uma sequência tão clara é muito mais informativa. Isso porque permite observar como as marcas se organizavam enquanto o animal avançava.
Gigante estava andando mais rápido do que parece
A análise das pegadas indica que o T. rex não estava correndo. O animal provavelmente seguia em ritmo de caminhada acelerada, com velocidade estimada entre 5,6 e 7,2 km/h.
Para ter uma referência, essa faixa é semelhante a uma caminhada humana rápida.
A estimativa, entretanto, possui margem de incerteza. As pegadas sofreram desgaste ao longo de milhões de anos, o que dificulta determinar com absoluta precisão o comprimento e a profundidade originais das marcas.
Ainda assim, o conjunto fornece uma informação valiosa: um T. rex adulto podia se deslocar de maneira relativamente eficiente sem precisar correr.
Tecnologia permitiu estudar as marcas em três dimensões
O local foi descoberto em 2025, em terras federais administradas pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos. Para preservar as informações antes que a erosão alterasse ainda mais as pegadas, os pesquisadores utilizaram escaneamento tridimensional de alta resolução.
A técnica criou modelos digitais detalhados das marcas. Com isso, os cientistas conseguem examinar virtualmente características que seriam difíceis de observar apenas no campo e também produzir réplicas físicas em 3D.
Esse recurso teve outro efeito interessante: pesquisadores que não estavam presentes na descoberta puderam analisar as pegadas digitalmente, inclusive por meio de realidade virtual.
Assim, um registro deixado no chão há dezenas de milhões de anos passou a ser estudado em detalhes sem depender exclusivamente da presença física no local.
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Um registro raro do comportamento do T. rex
O valor da descoberta vai além do tamanho das pegadas. Um rastro funciona como uma espécie de fotografia do movimento, porque registra a posição dos pés em sequência.
Isso permite aos pesquisadores investigar aspectos que dificilmente aparecem em um esqueleto, como:
- Velocidade aproximada
- Comprimento da passada
- Alternância entre os pés
- Direção do deslocamento
- Padrão de locomoção
Três das pegadas devem ser recuperadas por helicóptero e encaminhadas ao Museu de Natureza e Ciência de Denver, onde poderão ser preservadas e futuramente apresentadas ao público.
O estudo foi publicado no Journal of Vertebrate Paleontology por Peter L. Falkingham e colaboradores, em 2026, sob o título A large tridactyl trackway from the Upper Cretaceous Hell Creek Formation of North Dakota, likely attributable to an adult Tyrannosaurus rex.
Mais do que uma marca no antigo terreno, o achado oferece uma rara oportunidade de acompanhar os passos de um T. rex adulto em movimento, aproximando a ciência de um comportamento ocorrido pouco antes do fim da era dos dinossauros.
