Basta um pequeno punhado de folhas secas de erva do gato (catnip) para transformar um felino tranquilo em um verdadeiro “explorador caótico”. Em poucos segundos, o gato pode rolar no chão, esfregar o rosto, salivar, correr sem direção ou tentar caçar estímulos invisíveis. Embora pareça magia, a explicação está em uma molécula específica que interage diretamente com o sistema nervoso do animal.
A molécula que “conversa” com o cérebro felino
O principal composto ativo da erva do gato é a nepetalactona, uma substância volátil presente nas folhas e caules da planta. Quando liberada no ambiente, ela é detectada pelas vias olfativas do gato e entra em contato com o epitélio olfatório, região responsável por capturar estímulos químicos do ar.
A partir daí, inicia-se uma sequência neurobiológica precisa:
- Ativação dos receptores olfativos específicos
- Envio de sinais ao bulbo olfatório
- Projeção para regiões cerebrais como amígdala e hipotálamo
- Integração com circuitos emocionais e comportamentais
Essas áreas estão diretamente ligadas a instintos, recompensa e respostas emocionais.
O cérebro entra em estado de “euforia comportamental”
O efeito da nepetalactona não é apenas olfativo. Ela desencadeia uma resposta neurológica que pode ser descrita como um estado de hiperestimulação comportamental temporária.
O que se observa no gato inclui:
- aumento de atividade motora
- comportamentos de caça simulada
- rolar e esfregar o corpo
- vocalizações e excitação
- episódios curtos de euforia seguidos de relaxamento
Esse padrão sugere ativação simultânea de circuitos de recompensa e de comportamento instintivo.
Feromônios falsos
A nepetalactona atua de forma interessante: ela não “imita exatamente” um hormônio sexual, mas ativa receptores que estão ligados à percepção de feromônios felinos.
Isso significa que o cérebro do gato interpreta o estímulo como algo biologicamente relevante, possivelmente associado a:
- comunicação social
- marcadores territoriais
- estímulos sexuais ou de interação
Em outras palavras, o sistema nervoso responde como se estivesse diante de um sinal altamente importante, mesmo que ele venha de uma planta.
Nem todos os gatos reagem à erva do gato
Um detalhe importante é que a resposta à catnip não é universal. Estudos de comportamento felino mostram que aproximadamente:
- 50% a 70% dos gatos domésticos reagem à nepetalactona
- a sensibilidade é genética e hereditária
- filhotes geralmente não respondem antes da maturidade sexual
Isso reforça a ideia de que o efeito está ligado a circuitos neurológicos específicos e não apenas ao olfato em si.
Do ponto de vista neurocientífico, a erva do gato não “altera a consciência” do animal, mas sim ativa redes cerebrais profundamente ligadas ao instinto. A interação entre olfato, amígdala e hipotálamo cria uma cascata de respostas que simula situações naturais importantes para o comportamento felino.

