Não é apenas estresse: a falta silenciosa deste nutriente esgota sua energia celular 

Falta de magnésio pode aumentar a sensação de cansaço. (Foto: Fala Ciência via Gemini)
Falta de magnésio pode aumentar a sensação de cansaço. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Você dorme o suficiente, tenta manter uma alimentação equilibrada e não enfrenta nenhuma doença aparente. Ainda assim, acorda cansado, sente dificuldade para manter a concentração e termina o dia com a sensação de que sua bateria nunca passa dos 10%.

Embora o estresse e a rotina acelerada sejam frequentemente apontados como culpados, existe outro fator que costuma passar despercebido: a deficiência de magnésio. Esse mineral participa de centenas de processos biológicos e desempenha um papel central na produção da energia que mantém cada célula do corpo funcionando.

O problema é que muitas pessoas não atingem a ingestão adequada desse nutriente, criando uma deficiência silenciosa que pode afetar o metabolismo, a disposição física e até o envelhecimento celular.

A ligação direta entre magnésio e a energia das células

Quando falamos em energia biológica, estamos falando de ATP, uma molécula produzida principalmente dentro das mitocôndrias, estruturas conhecidas como as “usinas de energia” das células.

O que pouca gente sabe é que o ATP não trabalha sozinho. Na prática, a forma biologicamente ativa dessa molécula é o MgATP, um complexo formado pela união entre ATP e magnésio.

Sem quantidades adequadas de magnésio, a célula encontra dificuldades para utilizar a energia disponível de forma eficiente. Em outras palavras, é possível ter ATP presente e, ainda assim, enfrentar uma espécie de “apagão energético” funcional.

Além disso, o magnésio participa diretamente de etapas importantes:

  • Produção de ATP nas mitocôndrias
  • Funcionamento de enzimas metabólicas
  • Síntese de proteínas
  • Contração muscular
  • Transmissão nervosa

Por que tanta gente consome menos magnésio do que deveria?

A alimentação moderna mudou drasticamente nas últimas décadas. O consumo crescente de alimentos ultraprocessados reduziu a ingestão de fontes naturais do mineral.

Entre os alimentos mais ricos em magnésio estão:

  • Castanhas e sementes
  • Vegetais verde-escuros
  • Feijões e leguminosas
  • Cacau
  • Grãos integrais

Além disso, fatores como estresse crônico, consumo excessivo de álcool, alguns medicamentos e doenças gastrointestinais podem reduzir os níveis corporais do nutriente.

O que os pesquisadores descobriram sobre o combustível das células

Uma revisão científica publicada em junho de 2026 na revista Aging Cell, liderada por Chien-Wei Huang, destacou que o magnésio atua como um verdadeiro regulador da bioenergética mitocondrial. Segundo os autores, o mineral é essencial para a formação do complexo MgATP, considerado a forma funcional da energia utilizada pelas células. O trabalho também descreveu como a deficiência de magnésio pode comprometer o funcionamento mitocondrial, favorecer resistência à insulina e aumentar a vulnerabilidade celular ao envelhecimento.

Os pesquisadores propõem que o magnésio funcione como um importante elo entre metabolismo, produção de energia e longevidade celular.

Nem todo suplemento de magnésio é igual

Quando a suplementação é necessária, a forma química utilizada faz diferença.

O óxido de magnésio possui alta concentração do mineral, porém apresenta absorção intestinal relativamente baixa.

Já formas queladas ou orgânicas costumam apresentar melhor biodisponibilidade, entre elas:

  • Magnésio bisglicinato
  • Magnésio dimalato
  • Magnésio citrato

Por isso, a escolha adequada depende do objetivo clínico e da orientação de um profissional de saúde.

Um nutriente pequeno com impacto gigantesco

Embora raramente receba a mesma atenção dada a vitaminas e proteínas, o magnésio está envolvido em mais de 300 reações bioquímicas fundamentais para a vida.

Quando seus níveis ficam abaixo do ideal, o organismo pode continuar funcionando, mas frequentemente com menor eficiência. O resultado pode aparecer na forma de fadiga persistente, redução do desempenho físico e mental e dificuldade de recuperação após esforços.

Por trás daquela sensação constante de pouca energia, pode existir algo muito mais simples do que parece: células tentando produzir combustível sem um dos componentes mais importantes do processo.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn