Melasma e hormônios: Por que as manchas vão muito além da exposição ao sol 

Hormônios podem influenciar o surgimento do melasma. (Foto: Doucefleur's Images via Canva)
Hormônios podem influenciar o surgimento do melasma. (Foto: Doucefleur's Images via Canva)

As manchas escuras que caracterizam o melasma costumam aparecer de forma gradual e, muitas vezes, persistem mesmo após tratamentos e cuidados diários com a pele. Embora a exposição ao sol seja um dos principais desencadeadores, ela está longe de ser a única responsável pelo problema. Hoje, sabe-se que fatores como alterações hormonais, predisposição genética, inflamação e mudanças estruturais na pele participam do desenvolvimento dessa condição.

Essa visão mais ampla ajuda a explicar por que algumas pessoas desenvolvem melasma mesmo utilizando protetor solar regularmente, enquanto outras, expostas às mesmas condições, nunca apresentam as manchas.

O melasma é uma doença de múltiplas causas

Resumo rápido

  • Hormônios influenciam a produção de melanina.
  • A genética aumenta a predisposição ao melasma.
  • A luz visível e o calor também podem agravar as manchas.
  • A condição envolve alterações em diferentes camadas da pele.

O melasma surge quando os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, tornam-se excessivamente estimulados. Como consequência, ocorre um acúmulo desse pigmento, formando manchas acastanhadas principalmente na testa, bochechas, nariz e buço.

No entanto, esse processo vai muito além do aumento da melanina. Pesquisas recentes mostram que também existem alterações na epiderme, na membrana basal e na derme, indicando que o melasma é uma doença complexa e multifatorial.

O papel dos hormônios nas manchas

As alterações hormonais estão entre os fatores mais conhecidos relacionados ao melasma. Durante a gravidez ou com o uso de anticoncepcionais hormonais, por exemplo, o aumento dos níveis de estrogênio e progesterona pode tornar os melanócitos mais sensíveis aos efeitos da radiação ultravioleta.

Entretanto, os hormônios não atuam sozinhos. A predisposição genética e a exposição contínua à luz funcionam como importantes estímulos para o surgimento ou agravamento das manchas.

Novas evidências ajudam a entender as manchas 

Uma revisão publicada na revista International Journal of Dermatology, conduzida por Lara Ali e publicada em 28 de fevereiro de 2025, reuniu as evidências mais recentes sobre os mecanismos envolvidos no desenvolvimento do melasma.

No estudo “Pathogenesis of Melasma Explained”, os autores descrevem que o melasma não se limita ao aumento da produção de melanina. A doença também envolve alterações na membrana basal, elastose solar, mudanças nos vasos sanguíneos, participação de mastócitos, fibroblastos envelhecidos, além da influência da luz visível e das flutuações hormonais. Esses achados ajudam a explicar por que o tratamento pode ser desafiador e por que as manchas tendem a reaparecer quando os fatores desencadeantes permanecem presentes.

Por que algumas pessoas desenvolvem melasma e outras não?

Mesmo vivendo em ambientes semelhantes, nem todas as pessoas apresentam melasma. Isso ocorre porque existe uma importante influência da genética, que torna alguns indivíduos mais suscetíveis à ativação exagerada dos melanócitos.

Além da predisposição genética, diversos fatores podem contribuir para o aparecimento ou piora das manchas:

  • Exposição ao sol.
  • Luz visível emitida por telas e lâmpadas.
  • Calor intenso.
  • Alterações hormonais.
  • Processos inflamatórios na pele.

A combinação desses elementos explica por que o melasma costuma variar de intensidade ao longo da vida.

Controlar o melasma exige uma estratégia contínua

Como o melasma possui origem multifatorial, seu tratamento também precisa ser abrangente. A proteção contra a radiação ultravioleta e a luz visível, associada aos tratamentos prescritos pelo dermatologista, é considerada uma das principais medidas para controlar a doença.

Embora os tratamentos atuais possam reduzir significativamente as manchas, o melasma apresenta comportamento crônico. Por isso, manter uma rotina consistente de cuidados é essencial para diminuir o risco de recorrências e preservar os resultados alcançados.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn

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