Uma mudança repentina na cor das palmas das mãos ou das solas dos pés pode chamar bastante atenção. A pele começa a adquirir uma tonalidade amarelada ou alaranjada, mas os olhos continuam normais. Em determinadas situações, a explicação pode estar na alimentação.
O consumo elevado de alimentos ricos em betacaroteno, como cenoura, mamão, abóbora e manga, pode aumentar a quantidade de carotenoides no organismo. Quando isso acontece, esses pigmentos podem se acumular na camada mais superficial da pele, provocando uma alteração conhecida como carotenodermia.
A condição costuma ser benigna. No entanto, existe um detalhe importante: pele amarelada também pode ser sinal de icterícia, por isso as duas situações precisam ser diferenciadas.
Quando a comida começa a aparecer na pele?
O betacaroteno é um pigmento vegetal que também funciona como precursor da vitamina A. O organismo transforma parte dessa substância em retinol, enquanto outra parcela permanece como carotenoide.
Quando a ingestão é muito elevada ou existem alterações no metabolismo dos carotenoides, a concentração dessas substâncias no sangue pode aumentar. Parte delas chega à pele e produz uma coloração que varia entre amarelo, dourado e laranja.
A mudança costuma ser mais evidente em regiões com maior espessura da camada superficial da pele, especialmente:
- palmas das mãos;
- solas dos pés;
- dobras cutâneas;
- região ao redor do nariz.
Por isso, uma alimentação com grande quantidade de frutas e vegetais ricos em carotenoides pode, em algumas pessoas, produzir uma mudança bastante perceptível.
Um detalhe nos olhos ajuda a diferenciar as causas
A principal diferença visual entre carotenodermia e icterícia está nos olhos.
Na carotenodermia, a pele pode ficar amarelada, mas a esclera, a parte branca dos olhos, permanece sem a coloração amarela típica da icterícia.
Já na icterícia, ocorre aumento da bilirrubina no organismo, podendo deixar a pele e os olhos amarelados.
Essa distinção não substitui uma avaliação médica, mas é uma pista clínica importante. Além disso, nem sempre a origem está simplesmente no excesso de cenoura. Alterações metabólicas, hipotireoidismo, diabetes e outras condições também podem estar associadas à elevação dos carotenoides.
Estudo registrou exatamente esse sinal
Um relato de caso publicado no The American Journal of Medicine, com Manabu Ida como primeiro autor, descreveu uma mulher de 66 anos com coloração amarelo alaranjada nas palmas das mãos havia seis meses.
Ela tinha diabetes tipo 2, mas apresentava bilirrubina e exames hepáticos normais, além de não ter olhos amarelados, urina escura ou fezes claras. Após uma investigação alimentar mais detalhada, descobriu-se que ela consumia 800 a 1.000 mL de suco de vegetais por dia havia meses.
O diagnóstico foi de carotenodermia. A coloração desapareceu gradualmente depois que o consumo do suco foi interrompido. O caso mostra como o excesso de carotenoides na alimentação pode alterar a cor da pele, sem necessariamente indicar icterícia.
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A coloração tende a desaparecer com a correção da causa
Quando a alteração está relacionada ao excesso de carotenoides na alimentação, a redução da ingestão costuma permitir que o organismo elimine gradualmente o excesso. Entretanto, a cor não necessariamente desaparece de um dia para o outro.
Por isso, não é necessário abandonar frutas e vegetais ricos em carotenoides. Cenoura, mamão, abóbora e manga continuam sendo alimentos nutritivos e fazem parte de uma alimentação equilibrada.
O cuidado maior deve ocorrer quando a pele fica amarelada sem uma explicação alimentar evidente ou quando aparecem outros sinais, como olhos amarelados, urina escura, fezes claras, coceira intensa, dor abdominal ou mal-estar.
Nessas situações, é importante procurar avaliação profissional para investigar outras possíveis causas.
