Jacaré morde braço de triatleta, que reage e consegue escapar do ataque 

Triatleta Jonathan Bruney escapou de um ataque de jacaré durante treino. (Imagem: :WRDW News 12/YouTube; Getty Images)

Era para ser apenas mais uma sessão de natação em águas abertas antes de uma importante competição. Jonathan Bruney, de 31 anos, conhecia bem aquele tipo de treinamento e estava no rio Savannah, na Carolina do Sul, quando algo inesperado interrompeu a atividade.

Primeiro veio um impacto violento no braço direito. Por alguns instantes, o triatleta não entendeu o que havia acontecido. A situação ficou clara apenas quando uma dor intensa tomou conta do membro e ele percebeu que não estava lidando com um objeto submerso.

Um jacaré havia mordido seu braço.

O que aconteceu nos segundos seguintes seria decisivo para que Bruney conseguisse sair da água.

O ataque aconteceu em questão de segundos

O incidente ocorreu na manhã de 23 de agosto de 2026, enquanto Bruney treinava para o Ironman Augusta. O jacaré agarrou o braço do atleta e começou a puxá-lo para baixo da água.

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Esse é um dos momentos mais perigosos de um encontro desse tipo. Além da força da mordida, um jacaré pode tentar arrastar a vítima para um ambiente onde ela terá dificuldade para respirar e se movimentar.

Existe ainda outro comportamento que torna esses ataques particularmente perigosos: o chamado giro de morte, conhecido em inglês como death roll. O animal gira o corpo enquanto mantém a presa presa pela mandíbula, podendo provocar graves danos aos tecidos.

Para uma pessoa dentro da água, portanto, cada segundo pode fazer diferença.

Foi nesse momento que Bruney tomou uma decisão instintiva.

Uma reação inesperada mudou o rumo do ataque

Rio Savannah, onde triatleta foi atacado por um jacaré durante treino. (Imagem: Getty Images via Canva)

Enquanto estava sendo puxado, o atleta conseguiu alcançar a cabeça do animal. Em uma tentativa desesperada de fazê-lo soltar seu braço, pressionou o polegar contra o olho do jacaré.

O animal acabou soltando a vítima.

Bruney conseguiu retornar à superfície e gritar por ajuda. O sangramento era intenso, mas outros atletas estavam próximos e conseguiram ajudá-lo até que o socorro chegasse.

No hospital, os médicos constataram que os ferimentos estavam concentrados principalmente na pele e no tecido adiposo, sem danos musculares importantes.

Apesar do susto, o atleta recebeu uma recomendação para permanecer afastado da água por algumas semanas.

A reação que funcionou naquele caso, entretanto, não deve ser encarada como uma técnica garantida para qualquer ataque.

Por que um jacaré consegue surpreender até quem conhece o risco?

O rio Savannah não é um ambiente livre desses animais. Jacarés-americanos (Alligator mississippiensis) fazem parte da fauna do sudeste dos Estados Unidos, ocupando rios, lagos, pântanos e outras áreas alagadas.

Isso cria uma dificuldade para quem pratica esportes em águas abertas: um jacaré pode ser extremamente difícil de perceber dentro da água.

Mesmo quando uma pessoa sabe que existe risco, isso não significa que conseguirá identificar o animal antes de um encontro.

Por isso, conhecer a presença de jacarés em determinado local deve mudar a escolha do ponto de treino, e não apenas deixar o nadador mais atento.

A prevenção começa antes de entrar na água

A maneira mais segura de lidar com um ataque de jacaré é evitar que o encontro aconteça.

Para isso, recomendações oficiais incluem:

  • Nadar somente em áreas oficialmente destinadas à atividade.
  • Evitar águas naturais onde a presença de jacarés seja conhecida.
  • Não entrar na água durante o amanhecer, entardecer ou à noite.
  • Nunca alimentar ou tentar se aproximar de um jacaré.
  • Manter crianças e animais domésticos afastados das margens.
  • Se um animal for avistado, sair da água e aumentar a distância.

A Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida destaca que jacarés apresentam maior atividade entre o anoitecer e o amanhecer e recomenda que a natação seja realizada apenas em locais designados.

E se o ataque já começou?

Não existe uma manobra capaz de garantir que uma pessoa conseguirá escapar de um jacaré. A situação depende da posição do animal, do local da mordida e de diversos outros fatores.

Se houver uma oportunidade, chegar à margem e criar distância do animal são prioridades. Pedir ajuda também pode acelerar o socorro.

Se o jacaré continuar agarrado, a vítima deve tentar resistir e procurar uma oportunidade para interromper o ataque. O episódio envolvendo Bruney mostra que uma reação direcionada a uma região sensível aparentemente contribuiu para que o animal soltasse o braço.

Isso, porém, não transforma o ataque aos olhos em uma técnica universal. Tentar alcançar deliberadamente a cabeça de um jacaré pode colocar a pessoa ainda mais perto de sua mandíbula.

Depois de escapar, qualquer mordida precisa de avaliação médica imediata. Mesmo quando o ferimento parece pequeno, a mordida pode causar danos mais profundos e apresentar risco de infecção.

Também é importante comunicar o incidente às autoridades responsáveis pela fauna da região.

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O detalhe mais importante aconteceu antes do ataque

A história de Bruney chama atenção pela reação que permitiu sua fuga. Mas a principal lição para quem pratica natação em águas abertas está em outro ponto.

Nenhuma reação dentro da água é mais segura do que evitar um encontro com o animal.

Conhecer a fauna local, verificar alertas, escolher áreas apropriadas para natação e respeitar horários de maior atividade dos jacarés são medidas que reduzem o risco antes mesmo de o treino começar.

No caso de Bruney, uma sessão planejada para ganhar confiança antes de uma competição terminou em uma emergência que poderia ter sido muito mais grave. O episódio mostra como, em ambientes naturais, conhecer o risco não significa que ele deixou de existir.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes