Estudo mostra benefício do feijão para a saúde cardiovascular 

Pesquisa liga feijão a menor risco de pressão alta. (Foto: Getty Images via Canva)
Pesquisa liga feijão a menor risco de pressão alta. (Foto: Getty Images via Canva)

Um alimento muito presente na rotina dos brasileiros pode ter um efeito relevante na prevenção de doenças cardiovasculares. Uma análise científica divulgada no periódico BMJ Nutrition, Prevention & Health avaliou o consumo de leguminosas e identificou uma relação constante com menor probabilidade de desenvolver hipertensão arterial, uma das doenças mais frequentes e preocupantes da atualidade.

Esse resultado chama atenção porque envolve alimentos acessíveis, como feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha, que fazem parte da alimentação cotidiana em muitos países.

O que a ciência investigou sobre leguminosas

O estudo reuniu dados de 12 pesquisas de coorte prospectivas, que acompanham grandes populações por longos períodos para observar seus resultados ao longo do tempo. O objetivo foi entender se o consumo regular de leguminosas e soja poderia influenciar o risco de desenvolver hipertensão.

A análise avaliou diferentes quantidades de consumo e identificou um padrão consistente: à medida que a ingestão aumentava, o risco de desenvolver pressão alta diminuía.

De forma geral, os pesquisadores identificaram que pessoas com maior consumo apresentavam cerca de:

  • 16% menos risco de hipertensão com leguminosas
  • 19% menos risco com consumo de soja

Esses resultados foram observados em grandes amostras populacionais, com centenas de milhares de participantes.

Quanto consumir pode fazer diferença

Outro ponto importante foi a análise da quantidade ideal. Os dados indicam que:

  • Cerca de 100 gramas por dia de leguminosas já está associado a redução de risco
  • Para a soja, os efeitos mais significativos aparecem em consumos moderados, entre 60 e 80 gramas diárias
  • Em alguns cenários, o benefício se mantém de forma gradual até cerca de 170 gramas por dia

Isso sugere uma relação proporcional: o aumento gradual do consumo tende a trazer melhores resultados para a saúde cardiovascular.

Por que o feijão pode ajudar na pressão arterial?

As leguminosas são alimentos ricos em nutrientes essenciais que contribuem para o equilíbrio do organismo. Entre os principais fatores estão:

  • Fibras alimentares, que ajudam no controle metabólico
  • Minerais como potássio e magnésio, importantes para a função cardiovascular
  • Proteínas vegetais, que substituem fontes mais gordurosas
  • Compostos bioativos com ação antioxidante

Além disso, esses alimentos ajudam a melhorar a qualidade geral da dieta, especialmente quando substituem opções ultraprocessadas.

Hipertensão: um problema silencioso e comum

A hipertensão arterial afeta milhões de pessoas e muitas vezes evolui sem sintomas claros. Quando não há controle adequado, a condição pode elevar a probabilidade de complicações sérias, como:

  • Infarto do miocárdio
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Doenças renais crônicas

Fatores como sedentarismo, excesso de sal e alimentação desequilibrada também contribuem para o desenvolvimento da condição.

O que o estudo concluiu

A análise divulgada no BMJ Nutrition, Prevention & Health utilizou um conjunto sólido de dados e aplicou técnicas estatísticas avançadas para medir o risco relativo e verificar a consistência dos achados. 

No geral, os pesquisadores observaram que:

  • O consumo de leguminosas está associado a menor risco de hipertensão
  • A soja também apresenta efeito protetor semelhante
  • A relação parece ser provável do ponto de vista causal, segundo critérios científicos utilizados

Isso fortalece a ideia de que padrões alimentares ricos em vegetais podem ter impacto direto na saúde cardiovascular.

Um hábito simples com potencial preventivo

Os achados indicam que inserir feijão e outras leguminosas na alimentação diária pode ser uma medida simples, de baixo custo e com potencial para auxiliar na prevenção da pressão alta.

Embora não substitua acompanhamento médico, esse hábito alimentar pode ser um importante aliado na construção de uma dieta mais equilibrada e protetora para o coração.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn