A formação de um planeta acontece em um ambiente muito mais dinâmico do que parece. Ao redor de estrelas jovens, discos de gás e poeira funcionam como verdadeiros berçários cósmicos. Porém, esse material não permanece disponível para sempre. Conforme a estrela evolui, diferentes ventos começam a expulsar o gás, criando uma verdadeira corrida contra o tempo para a formação planetária.
O gás que pode definir o destino dos planetas
Nos primeiros milhões de anos, uma estrela recém formada pode estar cercada por um disco protoplanetário extremamente rico em matéria. É nesse ambiente que os planetas começam a crescer.
O problema é que gigantes gasosos como Júpiter e Saturno precisam de grandes quantidades de gás para desenvolver suas atmosferas. Se esse material desaparecer cedo demais, o crescimento desses mundos pode ser interrompido.
Por isso, descobrir como os discos perdem gás ajuda a compreender quando e como diferentes tipos de planetas conseguem se formar.
Webb acompanha o desaparecimento do berçário cósmico
Para investigar esse processo, pesquisadores utilizaram o instrumento MIRI, do Telescópio Espacial James Webb, para analisar 72 estrelas jovens semelhantes ao Sol.
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Entrar no Canal do WhatsAppO estudo de Naman S. Bajaj e colaboradores, publicado em 2026 no The Astronomical Journal, encontrou sinais de escape de gás em 66 dos 72 sistemas observados. Os pesquisadores identificaram ainda ventos de hidrogênio molecular em 46 sistemas e jatos associados ao néon ionizado em 40.
Nos sistemas mais jovens, os dados indicam forte participação de campos magnéticos, capazes de direcionar gás para longe do disco. Esses fluxos transportam matéria e momento angular, contribuindo para o esvaziamento do ambiente onde os planetas estão crescendo.
A estrela muda o mecanismo de perda
Com o passar do tempo, os jatos e ventos associados aos campos magnéticos diminuem. Ao mesmo tempo, a radiação energética da estrela consegue penetrar mais facilmente no disco.
Esse processo aquece o gás até que ele escape para o espaço e é chamado de fotoevaporação. Assim, os sistemas planetários parecem passar de uma fase dominada por ventos moleculares e fluxos magnéticos para outra em que os ventos atômicos e a fotoevaporação assumem maior importância.
O próximo passo será descobrir quanto gás é perdido em cada etapa e de quais regiões do disco ele escapa. Essas respostas podem revelar quanto tempo os planetas têm para crescer antes que seu berçário cósmico seja esvaziado.
